Banca & Finanças Maria Luís reuniu-se com presidente do Santander sobre Banif

Maria Luís reuniu-se com presidente do Santander sobre Banif

Não foi apenas ao Banco de Portugal que o Santander mostrou interesse em comprar o Banif antes da resolução. Também houve uma reunião com a ministra das Finanças.
Maria Luís reuniu-se com presidente do Santander sobre Banif
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 06 de abril de 2016 às 22:26

Enquanto ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque recebeu em reunião o presidente do Santander Totta, António Vieira Monteiro, em que a demonstração  de uma proposta de compra sobre o Banif foi o tema.

 

"Tive, de facto, uma reunião com o Dr. Vieira Monteiro em que o Dr. Vieira Monteiro me disse que o Santander teria, potencialmente, interesse em comprar o Banif", defendeu a antiga ministra das Finanças em resposta ao deputado comunista Miguel Tiago na audição desta quarta-feira, 6 de Abril, da comissão de inquérito.

 

Contudo, a aquisição que o Santander Totta pretendia fazer sobre o banco fundado por Horácio Roque seria apenas "após a reestruturação". Ou seja, o Santander não queria os "activos não rentáveis", incluindo os créditos malparados e os imóveis.

 

Sobre a resposta dada, Maria Luís Albuquerque afirma que a resposta dada ao líder do Totta foi a de que quando o banco tivesse os activos separados seria aberto um concurso. A então governante pediu ao Santander para concorrer. "E que ganhasse o melhor".

 

Não se sabe quais os pormenores da eventual oferta a fazer pelo Santander nem a data da reunião. Contudo, de qualquer forma, a declaração de Maria Luís Albuquerque vai ao encontro daquilo que António Varela, antigo administrador do Banco de Portugal, que admitiu que o Santander tinha, no Verão de 2015, mostrado interesse no banco.

 

O banco também já disse ao Negócios que havia olhado para o banco mas que só apresentou uma proposta no concurso aberto no final do ano, com data marcada para 18 de Dezembro (que envolvia também o uso de dinheiros públicos).

 

A 20 de Dezembro de 2015, o Banif foi alvo de uma medida de resolução, que causou perdas a accionistas (incluindo Estado) e obrigacionistas subordinados. Na sua sequência, que envolveu a injecção imediata de 2.255 milhões de euros públicos, a actividade bancária tradicional foi alienada ao Santander Totta por 150 milhões de euros.

 

Na audição desta quarta-feira, Maria Luís Albuquerque adiantou que o Banif recebeu, entre 2013 e 2015, "muitas" manifestações de interesse mas nenhuma proposta vinculativa.

 




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