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Maria Luís sobre venda de crédito do Banif à Arrow: "Não me foi perguntado"

"Não é suposto perguntar ao ministro das Finanças a quem é que vende a carteira", comentou a deputada social-democrata Maria Luís Albuquerque em relação à empresa de que é administradora e que fez negócios com o Banif.

Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 06 de Abril de 2016 às 23:00
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A antiga ministra das Finanças recusa ter tido qualquer responsabilidade nos negócios feitos entre o Banif e a Arrow, empresa que compra crédito malparado e que adquiriu uma carteira de 300 milhões de euros ao banco.

 

"Não tomei. Não tinha de tomar nenhuma decisão. Não me foi perguntado se deviam fazer desta forma ou de outra. Tive conhecimento que tinha sido concluída uma operação que resultava no reforço de capitais do banco pela venda", declarou Maria Luís Albuquerque.

 

Esta quarta-feira, 6 de Abril, a agora deputada social-democrata defende que a venda de 300 milhões de euros à Arrow não passou por si. "É indiferente ao ministro se venda à entidade A ou entidade B".

 

Maria Luís Albuquerque recusa, assim, qualquer envolvimento na venda de créditos do Banif à Arrow, ou empresas do grupo – para onde foi trabalhar enquanto administradora não executiva.

 

A antiga responsável pelas Finanças não teve qualquer papel mas o nome por si escolhido para representar o Estado teve. "A decisão de alienação é uma matéria de gestão corrente da administração do banco, que tem de cumprir regras e que é acompanhada pelo administrador do Estado. Não depende da decisão do ministro das Finanças. O ministro das Finanças não gere bancos", disse a antiga governante em resposta ao deputado do PCP Miguel Tiago.

 

Ex-ministra recusa ter proposto nome de Varela para governador

 

Ainda falando sobre a Arrow e uma das suas empresas portuguesas (a Whitestar), o deputado questionou a ex-ministra sobre o facto de António Varela (que tinha acompanhado o processo de venda do crédito) ter saído, em Setembro de 2014, de representante do Banif para o Banco de Portugal como administrador.

 

Maria Luís Albuquerque afirmou que não percebia a ligação entre a nomeação de Varela para o Banco de Portugal e a operação. "O único nome que propus para governador do Banco de Portugal foi o Dr. Carlos Costa", assegurou a ex-ministra.

 

A ida de Maria Luís Albuquerque para administradora não executiva da Arrow está a ser analisada no Parlamento - não pela comissão de inquérito mas pela subcomissão de ética. Na sexta-feira, será discutido o relatório feito pelo deputado social-democrata Paulo Rios de Oliveira, que segundo o Expresso e o Observador, indica que não há qualquer incompatibilidade no novo cargo e a função de deputada. 

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