Banca & Finanças Mário Centeno: "O Estado pagou o preço de três anos de inacção"

Mário Centeno: "O Estado pagou o preço de três anos de inacção"

O ministro das Finanças recusa assumir que o Estado pagou 2.100 milhões para o Santander Totta ficar com o Banif. Numa entrevista telefónica ao Negócios, Mário Centeno contrapõe: "o Estado pagou o preço de três anos de inacção".
Mário Centeno: "O Estado pagou o preço de três anos de inacção"
Rodrigo Gatinho
Maria João Gago 21 de dezembro de 2015 às 22:00

O Estado teve de mobilizar um total de 3.001 milhões de euros devido à intervenção no Banif, valor "elevado" que o ministro das Finanças explica com a desvalorização de activos imposta pela resolução e com os problemas de liquidez que a instituição estava a sofrer.

 

A resolução passou a ser inevitável porque as ofertas no processo de venda voluntária exigiam ajuda públicas. "A venda do banco com ajuda pública só era possível no contexto da resolução", sublinha Mário Centeno numa breve entrevista telefónica.

 

Qual a razão para a intervenção no Banif exigir uma dimensão tão elevada de fundos públicos?

A dimensão deve-se ao desequilíbrio no balanço do Banif, que resulta das dificuldades em que o Banif estava, e em que foi crescentemente envolvido, e também dos problemas de liquidez. Por outro lado, o facto de a venda ter sido feita num ambiente de resolução prejudica a valorização dos activos com que tudo isto é feito. Porque é colocado um stress enorme nos activos e daí resulta a necessidade da injecção de capital, que prejudica as condições de venda.

 

Porque é que o banco não foi vendido no processo voluntário que estava em curso?

As propostas que recebemos no processo de venda voluntário implicavam que houvesse ajuda pública. No entanto, esta nova ajuda pública só era permitida se o Banif tivesse a ajuda estatal inicial [recebida em 2013] aprovada. A partir do momento em que a ajuda pública [inicial, de 1.100 milhões de euros] tinha carácter temporário, mobilizar novo apoio do Estado para o Banif implicaria uma medida de resolução. A venda do banco com ajuda pública só era possível no contexto da resolução.

 

Tendo em conta a injecção que o Estado fez agora no Banif e o valor que recebeu do Santander, pode dizer-se que o Estado pagou 2.100 milhões de euros ao Santander Totta para ficar com o Banif?

O Estado pagou o preço de três anos de inacção, depois de investir 1.100 milhões de euros no Banif e não ter acautelado o sucesso dos sucessivos planos de reestruturação do banco, que foram sendo chumbados por Bruxelas.

 

Como é que o Estado poderá recuperar parte do dinheiro que mobilizou para o Banif?

A capacidade de recuperação de valor para o Estado está nos activos transferidos pera o veículo. Como esses activos foram sujeitos a uma desvalorização muito agressiva, por via das regras da resolução, há aqui uma capacidade de valorização adicional. As propostas não vinculativas para a compra dos activos imobiliários transitam para o Estado.

 

E a Açoreana, será vendida?

No caso da Açoreana, o processo de venda que estava em curso já está a ser retomado. A seguradora tem necessidades de capital e teve perdas por ser accionista do Banif.

 




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