Banca & Finanças Merkel não pode resgatar Deutsche Bank

Merkel não pode resgatar Deutsche Bank

O Deutsche Bank esteve no centro das atenções esta semana devido à especulação em torno das suas necessidades de capital. O governo alemão negou as notícias de que estaria a preparar um resgate à instituição. E a imprensa alemã avança que Merkel não pode resgatar o banco.
Merkel não pode resgatar Deutsche Bank
reuters
Raquel Godinho 01 de outubro de 2016 às 19:37

Angela Merkel, chanceler alemã, não pode resgatar o Deutsche Bank. Quem o diz são os media alemães, citados pela Reuters. Para o justificar, os jornais lembram a posição dura que a chanceler apresentou quanto à ajuda estatal noutros países europeus e também o risco político que isso poderia representar a nível interno.


O Frankfurter Allgemeine escreve que a Alemanha, que insistiu para que países como Itália e Portugal aceitassem condições mais duras para resolver os problemas das suas instituições financeiras, não pode permitir-se ser vista como branda a lidar com a situação do maior banco do país.


"Claro que a chanceler Merkel não vai querer dar ao Deutsche Bank qualquer ajuda estatal", refere o jornal, que acrescenta que "não vai poder permiti-lo do ponto de vista da política externa porque Berlim seguiu uma linha dura em relação ao resgate de bancos em Itália".


Já o Sueddeutsche Zeitung adianta que, ao ajudar o banco, Merkel estaria a quebrar uma promessa aos contribuintes, o que poderia afectá-la na sua caminhada para a re-eleição no próximo ano e permitir que as forças anti-imigração ganhem terreno. "Um pacote de ajuda estatal levaria os eleitores para os braços do AfD [o partido anti-imigração]", refere o editorial deste jornal, citado pela Reuters.


"As considerações políticas internas tornariam improvável que Berlim jogasse esse jogo. E ainda mais improvável é que a Comissão Europeia concordasse. O risco político seria simplesmente demasiado alto", escreve a mesma fonte.


Já o Stuttgarter Zeitung realça que "o Deutsche Bank tem que ganhar algum terreno porque tanto como podem ter sido exagerados os relatórios que apontavam para os perigos, também são óbvias as suas dificuldades". "A confiança é o que os bancos têm de mais importante", sublinha.


Recorde-se que o Deutsche Bank atingiu mínimos históricos em bolsa, nas últimas sessões, mas ontem ao final do dia correram informações de que o banco estará perto de celebrar um acordo com a Justiça norte-americana no sentido de reduzir a multa que lhe vai ser aplicada, o que fez com que a tendência invertesse. O Deutsche Bank acabou por fechar a disparar perto de 7% e sustentou o sector financeiro do Velho Continente mesmo na recta final das sessões bolsistas na Europa.


O mercado tem estado atento aos níveis de capital do banco alemão e à sua capacidade para enfrentar pesados custos legais - já que foi avançado na semana passada que poderia vir a ter de pagar uma multa de 14 mil milhões de dólares à Justiça norte-americana. Ontem ao final da tarde correram entretanto informações que dão conta que o banco germânico poderá reduzir essa multa, com a AFP a avançar que pode acabar por se fixar em 5,4 mil milhões de dólares.




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