Banca & Finanças Minuto a minuto: Ricciardi: "Vivi dois anos de inferno total. Era visto como pessoa que quer mandar o negócio abaixo"

Minuto a minuto: Ricciardi: "Vivi dois anos de inferno total. Era visto como pessoa que quer mandar o negócio abaixo"

A idoneidade e o plano que tinha para o BES foram dois temas incontornáveis da audição de José Maria Ricciardi, que começou quatro horas mais tarde devido ao atraso do inquérito a Salgado.
Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios

01h47 - "Proporcionámos uma experiência única". Foi com esta brincadeira de Fernando Negrão que terminou a audição de José Maria Ricciardi. Há muito menos pessoas na sala 6 do que as que se encontravam no arranque do dia de audições, quando Ricardo Salgado começou a ser ouvido pelas 9 horas. O presidente do BESI começou a ser ouvido pouco antes das 19h30 de dia 9. Terminou pouco depois das 01h30 de dia 10. Mais de seis horas.

 

01h33 - Sobre a Escom e a comissão paga da assessoria feita na aquisição de submarinos pelo Estado português, José Maria Ricciardi quis esclarecer que "não há dinheiro para ramos familiares". "Há dinheiro para cinco pessoas". Ou seja, houve dinheiro para o líder de cada um dos ramos, mas que não foi posteriormente distribuído pelos sucessores. Um deles era António Ricciardi: "o meu pai não me deu um tostão desse dinheiro".

 

01h28 - Um negócio com vários anos - e que já foi tema de uma comissão de inquérito - chega à audição de Ricciardi: a possibilidade de compra da TVI pela PT. "Confirmo que o BESI foi contactado para essa possibilidade", disse o presidente daquele banco de investimento. "Houve conversas iniciais que acabaram por não prosseguiu", esclareceu, dizendo que terá falado com Rui Pedro Soares mas nunca com Armando Vara.

 

01h22 - Durante a audição, foi questionado o paradeiro de Machado da Cruz, o contabilista do GES. Os deputados não sabem onde se encontra - e querem chamá-lo para prestar esclarecimentos no inquérito. Mas Ricciardi diz que esteve com ele em Lisboa. 

 

01h16 - O deputado socialista José Magalhães falou, nas últimas perguntas a Ricciardi, da notícia que saiu na terça-feira (dia em que se iniciou a audição), no Diário de Notícias, sobre uma carta que enviou ao Banco de Portugal a remeter responsabilidades sobre o fim do BES para Salgado. O presidente do BESI apressou-se a dizer: "Não fui eu que a enviou para o DN". Fernando Negrão gracejou: "Eu também não".

 

01h00 - Termina a segunda ronda do inquérito parlamentar ao BES. Ainda há mais perguntas: a terceira ronda conta com perguntas de todos os deputados, que terão depois uma resposta conjunta de Ricciardi. 

 

00h51 - "O doutor Salgado resolvia as coisas. Algumas coisas comunicava, outras nem por isso", comentou o presidente do BESI, em resposta ao PSD, para justificar a necessidade de alterar o modelo de organização do banco. 

 

00h47 - "Não tenho a certeza" se a Eurofin é independente, questionou José Maria Ricciardi. "Pode ser formalmente independente e não substancialmente independente", disse. 

 

00h35 - "Vivi dois anos de inferno total. Era visto como a pessoa que quer mandar o negócio abaixo, como um tipo delator, que fez 'trade-offs' com o Banco de Portugal [fez denúncias para que o Banco de Portugal o mantivesse à frente do BESI, como insinuou Ricardo Salgado]", disse em resposta à deputada bloquista. "Se não fosse a ganância pelo poder, o GES ainda existia", foi outra das acusações de que Ricciardi diz ter sido alvo. "A única coisa que queria era passar a ser o dono disto tudo", era outra. 

 

00h31 - "Fui a única pessoa que tentou, quando me apercebi do que se passava, alterar o rumo dos acontecimentos". Ricciardi respondeu a Mortágua com a resposta que já deu várias vezes durante a sua audição parlamentar.

 

00h25 - "Aqui o doutor José Maria Ricciardi é um bocadinho indisciplinado", comentou Fernando Negrão, presidente da comissão, sobre o facto de o líder do BESI interromper várias vezes os deputados. Mariana Mortágua, do BE, passa a fazer as perguntas nesta comissão de inquérito que se iniciou dia 9 de Dezembro e está a decorrer já no dia 10.  

 

00h19 - Nas respostas aos deputados comunistas, o presidente do BESI reiterou que se os accionistas do BES tivessem aceite a proposta de mudança de 'governance' em Novembro de 2013, que passava pela substituição de Salgado por Ricciardi, "o BES existia" hoje em dia. "Não era um mar de rosas, mas o BES existia. Não tenho quaisquer dúvidas", afiançou.

 

00h07 - O PCP, pela voz de Miguel Tiago, é o próximo a inquirir o primo desavindo de Ricardo Salgado. "O BES andou a viver acima das suas possibilidades", atirou.

 

00h06 - O nome BES era "absolutamente extraordinário", diz Ricciardi. Daí que o líder do BESI considere que, mesmo que o banco fosse vendido a outros investidores, ou mesmo que o Estado aí tivesse injectado dinheiro, a marca era para manter. "O BES, pertencesse a quem pertencesse, era uma marca de referência extraordinária do nosso país", respondeu à deputada Cecília Meireles. 

 

00h00 - Ricciardi considera que, inicialmente, o Banco de Portugal considerava que seria possível separar totalmente o ramo financeiro do não financeiro do GES. "A certa altura, o BdP percebeu que ia ser muito difícil cumprir o plano". 

 

23h55 - "A minha vida era andar a desenvolver o banco de investimento [BESI]. Nunca me passou pela cabeça que aquilo que se via nas contas não era a realidade", respondeu Ricciardi. "Repare o que é, de repente, ficarmos a saber que a dívida [da ESI] não é de 3 mas de 6 mil milhões de euros". 

 

23h45 - Ricciardi deixou de responder ao PS. Segue-se a centrista Cecília Meireles, que recua até 2011 e que pergunta também sobre a barreira que o Banco de Portugal quis impor entre BES e GES: o 'ring fencing'. 

 

23h38 - Ao deputado Pedro Nuno Santos, José Maria Ricciardi respondeu que não se demitiu quando também o seu pedido de registo para se manter na administração do BESI não foi concedido logo quando solicitado. "Não me demiti porque estava à espera que o aumento de capital fosse feito", justificou-se. 

 

23h23 - Termina a primeira ronda de perguntas a José Maria Ricciardi, quatro horas depois do seu arranque. Começam novas perguntas por parte do Partido Socialista. 

 

23h16 - José Maria Ricciardi nunca teve contactos sobre o BESA com Álvaro Sobrinho, segundo o primeiro. Só sobre o Sporting. E recusou ter organizado qualquer "complô". 

 

23h14 - "Salgado vendeu 150 milhões de euros de papel comercial do grupo, que fez diminuir imediatamente o valor da Tranquilidade", acusou José Maria Ricciardi. A seguradora foi avaliada em 700 milhões de euros em Fevereiro de 2014, mas acabou por ser vendida no Verão por um valor em torno de 200 milhões.

 

Salgado vendeu 150 milhões de euros de papel comercial do grupo, que fez diminuir imediatamente o valor da Tranquilidade"
 
José Maria Ricciardi

 

23h03 - O deputado Duarte Marques questionou Ricciardi se Amílcar Morais Pires era a pessoa mais próxima de Ricardo Salgado, a que mais informação tinha sobre a gestão do banco. "Penso que sim", respondeu o presidente do BESI. 

 

22h51 - "Absolutamente patético". Foi assim que José Maria Ricciardi se referiu à ideia de que o Banco de Portugal queria destruir o Banco Espírito Santo, como acusou Ricardo Salgado. 

 

22h50 - A audição de José Maria Ricciardi continua na primeira ronda. Agora, é a vez das questões do social-democrata Pedro Marques.

 

22h47 -  "Que o Banco de Portugal tinha vontade de mudar a 'governance' não tenho qualquer dúvida", disse Ricciardi, admitindo que tal foi dito em Novembro de 2013 pelo governador do Banco de Portugal.  

Que o Banco de Portugal tinha vontade de mudar a 'governance'. Não tenho qualquer dúvida"
 
José Maria Ricciardi

 

22h38 - Ricciardi: "Não foi discutida nenhuma liderança do BES" com Passos Coelho. Apesar de "amigo pessoal" de Pedro Passos Coelho, José Maria Ricciardi recusa alguma vez ter pedido "fosse o que fosse" ao primeiro-ministro. Manifestou apenas preocupações com o estado do grupo. 

 

22h34 - Ricciardi diz que só "no final de 2013, no Verão de 2013" é que se soube, no BES, que era preciso uma garantia para a unidade africana. Foi em Dezembro que uma garantia estatal angolana foi concedida para cobrir os créditos cedidos a que se havia perdido o rasto dos beneficários. 

 

22h28 - Apesar de ser administrador do Banco Espírito Santo, que controlava o BES Angola, José Maria Ricciardi "não tinha conhecimento" do que se passava naquela unidade. Aliás, segundo o próprio, o que era dito é que os "resultados vindos do BESA eram muito simpáticos".

 

22h26 - A Escom foi vendida, em Dezembro de 2010, a uma empresa alegadamente ligada à Sonangol, contou Ricciardi, sem dar grandes certezas. Mas o que foi assinado foi um contrato de compra e venda. A sociedade só pagou 15% do valor da operaçao de 700 a 800 milhões de dólares. Depois, teve dúvidas sobre a Escom que, até hoje, se mantiveram. 

 

22h18 - A venda da Escom vem à audição de Ricciardi pela voz de Mariana Mortágua. O membro da família Espírito Santo fala sobre o tema porque, ao contrário do primo Salgado, não se encontra sob segredo de justiça. 

 

22h15 - Banif e Montepio serão, segundo Ricciardi, credores da Espírito Santo International. Na maioria, esses credores serão particulares, mas havia excepções, como a Portugal Telecom, que emprestou 900 milhões de euros à Rioforte com a aquisição de papel comercial. Banif e Montepio serão outros investidores, embora o banqueiro tenha dito que não tem certezas.

 

22h02 - O buraco na ESI é o tema da primeira pergunta da deputada Mariana Mortágua. Ricciardi defende que estranhou "imenso" o aumento de dívida da sociedade em 2013 - altura em que já estava "brutalmente endividada". Perguntou várias vezes sobre o tema internamente. "Nunca ninguém me explicou. "Várias vezes comuniquei ao Banco de Portugal", continuou. 

 

21h55 - "É agora senhora deputada Mariana Mortágua", disse Fernando Negrão à bloquista para que começasse as perguntas da primeira ronda a José Maria Ricciardi. 

 

21h54 - Ricciardi termina as respostas ao deputado comunista Miguel Tiago para dizer que nunca nas administrações dos bancos de Miami, Panamá ou Dubai. 

 


21h53 - 
Sobre o aumento de capital, Ricciardi também falou em resposta ao deputado Miguel Tiago. "Os institucionais não têm desculpa nenhuma" por terem perdido dinheiro depois de irem ao aumento de capital do BES, comentou Ricciardi. Esses investidores, qualificados, "tinham obrigação de saber ler os riscos e eles estavam todos lá".

 

O presidente do BESI falava do aumento de capital de 1.045 milhões de euros, cujo prospecto só foi aprovado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) após 30 alterações para integrar todos os riscos considerados relevantes, desde as irregularidades da ESI à exposição a Angola. "Está lá tudo", defende.

 

"As pessoas que não têm conhecimentos para ler o prospecto foram efectivamente lesadas", acusou contudo o responsável do BESI, banco de investimento do Novo Banco que foi vendido esta segunda-feira à sociedade de Hong Kong Haitong.

 

O aumento de capital do BES, de 1.045 milhões de euros, trouxe novos accionistas para o banco. Contudo, na resolução, os accionistas do banco perderam tudo, já que passaram a ser accionistas do banco de transição.

 

"As pessoas que não têm conhecimentos para ler o prospecto foram efectivamente lesadas".
 
José Maria Ricciardi sobre aumento de capital do BES em Maio e Junho de 2014

 

21h50 - Foi o receio de demorar a alterar a governance do BES que, na óptica de José Maria Ricciardi, acabou por levar o Banco de Portugal a aceitar manter Ricardo Salgado na liderança do BES em Maio. Só a 20 de Junho, o banqueiro foi afastado.

 

"Para mudar a governance, é preciso que a equipa que lá está saia; segundo, que os accionistas proponham listas para os órgãos sociais; depois é preciso um mês para convocar a assembleia-geral", enumerou Ricciardi. Daí, o aumento de capital poderia ter de ser realizado em Agosto – "em Agosto, não há mercados de capitais".

 

E depois disso, o BCE iria começar a receber funções de supervisão que estavam na mão do Banco de Portugal – algo que se efectivou em Novembro. 

 

21h44 - Ricciardi continua a responder ao deputado comunista Miguel Tiago. "Não tenho qualquer dúvida que o Banco de Portugal queria mudar a governance do BES desde o início de 2014", acrescentou. 

 

21h24 - Em 2008 "quando assuntos agravaram-se com a crise internacional devia-se ter pedido intervenção do Estado no BES, se tivesse sido capitalizado pelo Estado, o BES existiria e provavelmente ter-se-ia conseguido atacar os problemas em cima até porque aumentos de capital do BES aumentaram endividamento em cima". A consequência é que ficariam com participação menor no banco, mas também teriam menos dívida.

 

21h20 - Ricciardi entrou no conselho da ESI em Novembro de 2011, só sabia que estava endividada. "Pouco a pouco fui crescendo na organização e gradualmente fui-me apercebendo que a gestão não era aquela que entendia que era melhor. Até lá não tinha a menor noção do que se passava na ESI, a não ser que tinha endividamento importante". E garante: "nunca me passou pela cabeça que a 31/12/2011 e a 31/12/2012 as contas não fossem verdadeiras. No dia em que soube que não eram verdadeiras escrevi acta no conselho superior grupo, na ESI e na ESFG em que disse que estava a saber pela primeira vez que as contas não correspondiam à verdade, e que exigia uma auditoria rigorosa às contas e apuramento responsabilidade de quem tinha falsificado nas contas".

 

21h04 - Ricciardi disse, no entanto, que não era o poder que o moveu a alertar os reguladores. "Eu não podia pactuar com um conjunto de actividades e práticas. Não basta não participar nos actos, é preciso, quando se toma conhecimento deles, tomar atitude contra". José Maria Ricciardi atirou-se aos jornalistas dizendo que escreveram que este banqueiro só queria a luta entre primos e queria fazer golpe de estado. "Tudo mentira. Não é verdade".

 

Ricciardi atirou-se ainda ao artigo do Negócios (sem se referir ao jornal) que falava de golpe de estado, no final de 2013, dizendo que estava "encomendado". Isto porque a reunião do conselho superior terminou depois das oito e os jornais a essa hora já estão fechados, considerou. E, por isso, disse publicamente que não dava apoio a Ricardo Salgado. 

 

21h03 - Ricciardi garante que não queria o poder pelo poder. Achava que tinha capacidades para suceder ao primo Ricardo Salgado, mas garante que as suas atitudes não foi por querer "substituir o Dr. Ricardo Salgado e aspirar a ser eu o dono disto tudo".Frase que motivou risos dos deputados, não tantos como um momento a seguir mereceria, quando pediu a Miguel Tiago, a quem está a responder, um deputado do PCP que se pusesse no papel de administrador de um banco. 

 

 

21h02 - Miguel Tiago, do PCP, começa a sua ronda. Na primeira resposta, Ricciardi troca o nome: Manuel Tiago, algo que o deputado já está, aliás, habituado.

 

20h59 - O BESA apresentava bons resultados, disse Ricciardi, lembrando que, no entanto, tinha crédito astronómico. O rácio de transformação estava na casa dos 200%, o que significava que não tinha recursos de clientes a cobrir os créditos concedidos e tinha de recorrer a linhas bancárias. "Aí não vejo mal nenhum, vejo é depois na aferição do risco da carteira de crédito, se ela fosse boa, se não tivesse grandes problemas não veria problema especial. O que acharia que se devia fazer, nunca tive qualquer responsabilidade no BESA em qualquer órgão do BESA, devia-se ter desalavancado, ou ter crescimento crédito mais lento, ou trabalhar para que os depósitos crescessem". E concluiu a ronda de Cecília Meireles, dizendo que a situação do BESA "ultrapassou todas as minhas piores expectativas".

 

"Não tinha a certeza que 'ring fencing' estava a ser cumprido".
 
José Maria Ricciardi

20h56 - "Não tinha a certeza que 'ring fencing' estava a ser cumprido", mas Ricciardi acrescentou: "mas atenção, não estou a falar daquelas operações escondidas que se detectaram no fim, dessas não fazia a mínima ideia". 

 

20h55 - "Não trabalhava fisicamente no BES, o meu lugar é no BESI, que é noutro edifício. Não estava no dia-a-dia do BES, não tinha quaisquer funções executivas". Em Abril de 2012 quem assumiu executivamente a responsabilidade do departamento de risco foi Joaquim Goes, que "considero uma pessoa seríssima, não tenho dúvida da seriedade e competência do dr. Joaquim Goes".

  

20h50 - "Estou um bocado cansado de andar a pagar pelos erros que não cometi". 

 

20h42 - "Os principais responsáveis não foi nem o governo nem Banco de Portugal, foram accionistas do GES que não quiseram em tempo oportuno, conforme minha proposta, alterar governance a tempo de não se passarem os factos que aconteceram no primeiro semestre". O GES, acrescentou, "provavelmente iria insolver e provavelmente os accionistas da ESI iriam perder dinheiro, mas o BES existiria agora, e até o dinheiro que teríamos para pagar aos credores do GES seria superior". Ricciardi não tem dúvidas de que "as medidas tomadas foram as mais erradas ao longo deste processo". Ricicardi tinha a solução: "Deixar o bura

Os principais responsáveis não foi nem o governo nem Banco de Portugal, foram accionistas do GES
 
José Maria Ricciardi

co lá em cima". 

  

20h30 - "Não sou accionista do GES". Ser filho "não dá direito a propriedade nenhuma". 

 

20h19 - Cecília Meireles, deputada centrista, começa a sua ronda de perguntas.

 

20h13 - Ter sabido que Ricardo Salgado disse não ter conhecimento que estava a ser gravado nas reuniões do conselho superior "suscita-me grande preplexidade". Ricciardi garante que "sabia que as reuniões estavam gravadas. O dr. Castela tinha um gravador à frente que todos viam", por isso, "fico preplexo como algumas pessoas não viam que estavam a ser gravadas. Eram gravadas para serem passadas ao papel". A partir de determinada altura, disse, deixou de haver actas e só havia gravações. 

  

20h10 - "Não me cabe a mim dizer quem são as pessoas que o fizeram. Há uma coisa que é verdade, estas situações passavam-se dentro do departamento financeiro, de mercados e de estudos que funcionava dentro do BES com autonomia, como se fosse estanque, e isso foi uma das razões que descrevi" ao Banco de Portugal em Fevereiro dizendo que "ou mudava a governance do BES ou eu não ficava". 

 

20h00 -  Ricciardi explica o esquema Eurofin que garante ter sabido pelo auditor do BES, a KPMG, Sikander Sattar. Ricciardi estava "de férias, fora de Lisboa" e aí recebeu a comunicação da descoberta "da circularização de operações dentro do departamento de mercados e estudos do BES". "Hoje ouvi várias explicações, mas parece que existe confusão sobre como foi realizada". E explicou: Quando se emitem obrigações a 30 anos cupão zero, só se pagam juros no fim, a taxa de juro é elevada, superior a 7%. Foi adquirida pela Eurofin que revendeu esses títulos, recolocando-os nas carteiras de gestão discricionária do clientes BES a 4% como se estivesse a dizer aos clientes que estavam a fazer aplicações a um ou dois anos e não a 30. É aqui que acontece a diferença de 700 milhões que ficaram na Eurofim. Depois aconteceria uma de duas coisas: ou pagava ou perdia e tornava a colocar noutro. "Fazia com que prejuízos alocassem em cada ano não fossem significativos e ninguém se apercebia o que se passava". Foi quando entrou Vítor Bento e nessa altura o banco "optou por recomprar as obrigações aos clientes para que não incorressem em prejuízos."É forma indirecta de voltar a incumprir com instruções do Banco de Portugal, passando risco de clientes directamente para risco do banco, que era aquilo que Banco de Portugal tinha exigido que não se passasse mais. É incumprimento de uma instrução do banco de Portugal e descapitalização do banco feita de forma oculta. 

 

19h41 - Filipe Neto Brandão, do PS, começa a primeira ronda de perguntas.

  

19h40 - A aquisição do BESI é, para Ricciardi, "reconhecimento da credibilidade e idoneidade em termos internacionais".

 

19h39 - "Sou o primeiro a lamentar o descalabro e as perdas dos accionistas e obrigacionistas. Sou o primeiro a lamentar não ter sido acompanhado em Outubro de 2013 por quem tinha capacidade decisória". Para Ricciardi as suas propostas teriam "permitido sem margem para dúvida manter intacto o BES e pelo menos minimizar ou atenuar danos nas empresas não financeiras do grupo". No BESI "não houve fundo de resolução, mas equilíbrio financeiro, não houve falsificação de contas, não houve prejuízos escondidos, só lucros sustentados, não houve desvio de fundos, não houve desgoverno da gestão, só desenvolvimento sustentado".

 

19h38 - Em Junho de 2014 "manifestei discordância pela reformulação dos órgãos sociais e respectiva composição proposta pela antiga liderança", já que "a pretexto da mudança se pretendia deixar tudo na mesma". 

 

19h36 - "Logo que me apercebi da irregularidade das contas no ESI, a ocultação de dívidas e prejuízos desde 2008, requeri realização de inquérito urgente que apurasse as responsabilidades envolvidas". Também pediu clarificação da actividade da Eurofin nos negócios do grupo e cumprimento do "ring fencing". "Iniciativas que jamais mereceram acolhimento pela liderança". 

 

19h34 - Ricciardi diz ter estado duas vezes em risco de ser afastado do BES e do BESI. Em Novembro de 2013 e em Junho de 2014. 

 

Sou um profissional banca, com provas dadas, e que posso aspirar a um lugar de topo em qualquer instituição bancária". 
 
José Maria Ricciardi

 

19h32 - José Maria Ricciardi, na declaração inicial, garantiu que tudo fez para denunciar as irregularidades que detectou. "Tenho plena consciência de ter denunciado quer internamente quer perante entidade reguladora situações duvidosas que fui confrontado". O que aconteceu, disse, desde Outubro de 2013, perante um conjunto de factos que demonstravam irregularidades no grupo, "nunca devidamente esclarecidas". Ricciardi diz que propos alteração do modelo de governação, para que prevalecesse "escolaridade sobre a descricionaridade e hegemonia individual". 

 

19h31 - "Sou um profissional banca, com provas dadas, e que posso aspirar a um lugar de topo em qualquer instituição bancária". 

 

19h30 - As investigações que decorrem "farão luz sobre quem prevaricou, as circunstâncias e consequências a que se sujeitam. Estou livre, como sempre estive, para colaborar com investigações, para ser possível distinguir trigo do joio". "Não aceito responsabilidade sanguínea, nem me submeto ou conformo com responsabilidade colectiva. A cada um caberá responsabilidade pelo que fez e cabe a cada um a responsabilidade pelos actos que praticou. Não admito solidariedade por práticas que não pratiquei e que fui alheio". 

 

19h28 - Ricciardi começa declaração inicial. "Faço parte da família e não aceito que se proceda julgamento colectivo de natureza sanguínea". "Aproveito para manifestar orgulho que mantenho na obra realizada pelo meu avô e por todos aqueles que sucederam na liderança até à minha geração que contribuíram cada um a seu modo para a valorização instituição". 

 

19h27 - "Vamos fazer a audição", assumiu Fernando Negrão.

 

19h24 - José Maria Ricciardi já se encontra na sala de audições. 

 

 




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