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Moody’s diz que adiamento dificulta futura venda do Novo Banco a "preço satisfatório"

"Negativo" para o Novo Banco e "negativo" para o sistema financeiro português. A avaliação é feita pela Moody's em relação à decisão do Banco de Portugal de adiar a venda do Novo Banco.

Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 21 de Setembro de 2015 às 13:12

A agência de classificação de risco Moody’s considera que o adiamento da venda do Novo Banco traz obstáculos a uma alienação a um preço considerado "satisfatório".

 

"O adiamento da venda e um persistente perfil de crédito fraco deverá afectar o interesse dos investidores no banco e deverá diminuir a probabilidade de o Banco de Portugal vendê-lo a um preço satisfatório", assinala a analista Pepa Mori, num comentário enviado às redacções esta segunda-feira, 21 de Setembro. 

 

Para a Moody’s, o cancelamento do concurso de alienação do Novo Banco, anunciado na terça-feira passada, é negativo tanto para o banco em causa como para todo o sector.

 

No caso do banco liderado por Eduardo Stock da Cunha, a decisão do governador Carlos Costa é "negativa, em termos creditícios, tendo em conta que a opção de não vender pode adiar decisões essenciais, como a implementação de medidas de reestruturação, que iriam melhorar o muito fraco perfil de risco do banco".

 

Mais de um ano depois da sua constituição, só quando foi cancelado o concurso internacional, é que a gestão do Novo Banco teve autorização para repensar a sua estratégia, nomeadamente a presença geográfica e de negócios.

 

A reestruturação é, segundo a agência de notação financeira, necessária, já que "embora tenha feito progressos na desalavancagem, os resultados do primeiro semestre de 2015 confirmaram as dificuldades que o banco enfrenta para preservar a sua base de capital devido à deterioração da qualidade dos activos e as perdas que ainda sente". A capacidade de absorção dos riscos também "permanece fraca". O banco apresentou prejuízos de 251,9 milhões de euros no primeiro semestre.

 

"A venda, com sucesso, do Novo Banco para um comprador financeiramente forte com um interesse em preservar a marca iria melhorar o seu perfil e risco e as perspectivas de negócio e ainda ajudar à recuperação", sintetiza a Moody’s, no melhor cenário que o banco pode verificar. 

 

Contudo, isso ainda não aconteceu e, como frisa a agência de informação, o caminho torna-se mais difícil agora que foi dado por concluído o primeiro concurso sem uma alienação. O Banco de Portugal pretende lançar a venda do Novo Banco no futuro, mas ainda não se sabe em que moldes. 

Se a alienação for feita após Agosto de 2016 - um banco de transição tem de um prazo de vida de dois anos-, a Moody's diz que "aumenta o risco" da potencial dissolução de alguns activos do Novo Banco. Para que tal não aconteça, o Banco de Portugal disse que ia pedir, com base no interesse público, a extensão do período, como possibilita a legislação.

 

Sector sai penalizado

O anúncio de Carlos Costa, na terça-feira passada, trouxe uma certeza sobre o que estava a ser especulado há semanas: o fim do concurso iniciado em Dezembro de 2014. Mas há muitas mais indefinições, nomeadamente custos futuros para o sector.

 

"O adiamento da venda do Novo Banco é também negativo, em termos creditícios, para o sistema bancário português porque aponta para os desafios que o Banco de Portugal enfrenta para obter um preço de alienação suficiente para reembolsar o empréstimo português que garantiu ao Fundo de Resolução e usou para recapitalização", assinala a instituição. 

 

O Novo Banco recebeu uma injecção de 4,9 mil milhões de euros em Agosto de 2014 através do Fundo de Resolução da banca: 3,9 mil milhões dos quais vindos do Tesouro estatal e mil milhões da banca (700 milhões de empréstimos, o restante obtido pelas contribuições regulares para o fundo). A venda abaixo daquele valor terá de ser suportada pela banca, ainda que se desconheçam os moldes.

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