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Morais Pires não apoiava declarações públicas do Governo e BdP sobre BES

O administrador financeiro do BES até Julho de 2014 diz ter sido "ignorado" quando avisou, a 11 de Julho, que havia uma "tempestade pública" no banco que se tinha de travar no fim-de-semana seguinte.

Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 11 de Dezembro de 2014 às 20:42
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"Não apoiava  em consciência as manifestações publicas das autoridades portuguesas no conforto que davam relativamente à situação do BES". A afirmação é de Amílcar Morais Pires e terá sido dito, segundo o próprio, numa reunião do conselho de administração do Banco Espírito Santo a 11 de Julho.

 

Segundo Morais Pires, este foi um dos alertas que deixou naquele conselho de administração. Este apelo "foi ignorado", disse. "Alertei de forma clara e inequívoca, que o banco estava em situação de stress", acrescentou. A saída de depósitos, descida do valor das acções e um eventual incumprimento do Grupo Espírito Santo.

 

Em resposta ao deputado comunista Miguel Tiago, Morais Pires acrescentou que também o administrador representante do Crédit Agrícole, Xavier Muscá, considerava que o BES estava a enfrentar uma "tempestade perfeita".

 

Para o antigo administrador do BES, não era certo que tudo estivesse bem, porque naquela altura poderia ficar sem liquidez e ter de recorrer a um programa de emergência do Banco Central Europeu. Segundo o próprio, antes de uma crise de capital o BES enfrentava uma crise de liquidez.

 

Na reunião de 11 de Julho, em que Morais Pires era ainda administrador apesar de Ricardo Salgado já se ter demitido e o BES estar encabeçado já por Vítor Bento, foi discutido o recurso à Blackstone para procurar compradores  a operação de capitalização e reestruturação do banco. Era a última oportunidade, segundo o responsável financeiro, para conseguir a recapitalização privada da instituição.

 

"Ao invés, o Banco de Portugal ordenou a convocatória do conselho de administração" em que Salgado foi substituído por Vítor Bento.

 

Morais Pires criticou as autoridades públicas que falavam nessa recapitalização privada quando considerava que havia uma "tempestade privada". A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, fizeram declarações públicas sobre a possibilidade de o BES ser capitalizado com recurso a privados, embora admitindo que havia a linha de recapitalização da troika. 

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