Mosqueira do Amaral confirma que Sobrinho só dava informação a Salgado
Um dos membros do conselho superior do GES afirma que Álvaro Sobrinho só respondia a Ricardo Salgado enquanto presidente do BES Angola.
"Várias vezes pusemos em questão o Dr. Álvaro Sobrinho", confessou, aos deputados, Pedro Mosqueira do Amaral, membro do conselho superior do Grupo Espírito Santo. "Álvaro Sobrinho não dava informação a ninguém, só ao Dr. Ricardo [Salgado]".
Mosqueira do Amaral nega que tenha tido qualquer ligação com o BES Angola e disse que as informações que teve sobre problemas naquela entidade vieram já "bastante tarde". "O que me apercebi no BESA é que havia um rácio de transformação para aí de 200%". O rácio de transformação compara o nível de créditos com o de depósitos, ou seja, o nível de créditos concedidos era bastante mais elevado que o de depósitos. "Isso é uma coisa que não pode acontecer".
Mosqueira do Amaral garantiu, também, na sua audição da comissão parlamentar de inquérito, que não teve "directamente contacto" com Álvaro Sobrinho. Aliás, dadas as questões que levaram à sua saída da presidência no BESA, assumiu-se como "bastante aliviado" quando Rui Guerra foi chamado a substituir Sobrinho na presidência executiva do BESA em 2012.
A ideia de que Sobrinho apenas reportava a Ricardo Salgado foi já transmitida por várias pessoas no inquérito ao BES, nomeadamente pelo antigo administrador financeiro do banco, Amílcar Morais Pires.
Sobrinho accionista de sociedade de topo
Pedro Mosqueira do Amaral, que era administrador de várias sociedades do GES, diz ter "ouvido dizer", numa reunião, que o "Dr. Sobrinho tinha uma participação" accionista em empresas. "Sei que era accionista da ES Control ou da ES International". Mas não garantiu qual.
A ES Control era a sociedade que reunia as participações accionistas dos vários ramos da família e principais aliados e que tinha mais de metade do capital da ES International, onde foi detectada dívida escondida.