Mosqueira do Amaral queria mudar liderança do BES mas acreditou em Salgado
Pedro Mosqueira do Amaral estava ao lado de Ricciardi na necessidade de destituir Ricardo Salgado em Novembro de 2013. Mas acabou por aceitar mantê-lo, desde que se iniciasse o processo de sucessão.
Pedro Mosqueira do Amaral e o seu pai estavam ao lado de José Maria Ricciardi quando, em Outubro de 2013, este quis destituir Ricardo Salgado. Mas acreditaram nas promessas do então presidente do BES e, por isso, deram-lhe um voto de confiança.
Recusando que tenha havido "uma guerra com Ricardo Salgado", Pedro Mosqueira do Amaral disse que estava "preocupado" com o que se passava no final do ano passado. Houve uma reunião a 29 de Outubro de 2013 em que se acordou levar Salgado a demitir-se. "Acho que em todas as empresas têm de haver mudanças". E o GES e BES eram exemplos, disse, depois de se saber que havia contas falsificadas e uma forte exposição ao BES Angola.
"Uma pessoa tem de reagir" quando sabe de contas falsificadas, adiantou aos deputados na audição desta quarta-feira, 19 de Dezembro, da comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES. Pedro Mosqueira do Amaral entrou para o conselho superior do GES no final de 2011, quando entraram quatro sucessores para os cinco ramos. Em Março de 2014, assumiu a liderança do seu ramo quando o seu pai, Mário Mosqueira do Amaral, faleceu. Três dos cinco ramos do conselho superior estavam com Ricciardi.
Ricciardi ia levar para a frente aquele que ficou conhecido como "golpe de Estado" na reunião de 7 de Novembro. Não aconteceu porque, entretanto, todos os ramos deram um voto de confiança a Salgado. "Foi acordado que ia haver uma preparação para a sucessão e a governance", contou. "Foi isso que levou à situação de não irmos para a frente. Houve claramente duas razões concretas e duas condições concretas para dar apoio: governance e sucessão".
"Eu acreditei nisso, logicamente", confessou Pedro Mosqueira do Amaral em resposta ao socialista José Magalhães.