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Dona do Montepio continua a contestar valorização do banco pela PwC

A Associação Mutualista Montepio concordou em alterar o valor do banco no seu balanço. Mas Virgílio Lima diz que o "valor de uso" do banco para a mutualista é maior do que o "valor de mercado" referido pela auditora.

Montepio – Com o “Super Depósito Net”, em que o investimento mínimo é de 2.500 euros, o Montepio oferece aos clientes uma taxa de 0,5%. Um juro que está acima da média do mercado.
Rita Atalaia ritaatalaia@negocios.pt 01 de Julho de 2020 às 11:15
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A Associação Mutualista Montepio Geral continua a contestar a valorização do Banco Montepio pela PwC. Virgílio Lima, presidente da mutualista, defende que o "valor de uso" que o banco tem para a entidade que lidera é maior que o "valor de mercado" referido pela auditora. 

"Podíamos manter o valor que considerávamos mais justo, mas isso levaria a que as auditoras apresentassem uma reserva sobre esse valor", afirmou Virgílio Lima, num encontro com jornalistas. Isto porque as auditoras "defendem que o valor do banco é equivalente aos seus capitais próprios".

"O valor de mercado é o de transação corrente. O valor de uso é a utilidade que está para além desse valor imediato", referiu, notando que  E "as normas dizem que deve ser escolhido o maior dos dois valores. O valor de uso do Banco Montepio é muito grande".

Para a gestão, o valor de uso do Banco Montepio é "muito superior" ao valor da diferença entre os ativos e passivos, "porque é uma entidade altamente escrutinada pelo seu supervisor e que traduz nas suas contas e nos seus rácios a sua situação efetiva". 

"Respeitamos os auditores e a sua independência, e confrontados com a sua posição preferimos fazer a aceitação [da alteração do valor do banco no balanço] para evitar mais especulações à volta do valor do banco", rematou o presidente da mutualista.

As declarações foram feitas durante a análise dos resultados da mutualista referentes ao ano passado, naquela que foi a primeira conferência de imprensa com Virgílio Lima na liderança da dona do Banco Montepio. Tomás Correia abandonou o cargo em dezembro do ano passado. 

A Associação Mutualista Montepio Geral registou prejuízos de 408,8 milhões de euros em 2019, o que compara com o lucro de 1,6 milhões registado no ano anterior. Estes prejuízos recorde foram registados devido, sobretudo, à desvalorização do Banco Montepio (-377,5 milhões) e da Montepio Seguros (-14,8 milhões) no balanço da mutualista e que foi exigida pela PwC. Isto obrigou a mutualista a reforçar as imparidades com as duas participadas em 392 milhões de euros.

Com esta alteração, o Banco Montepio passou a estar avaliado em 1.500 milhões de euros, em comparação com os 1.870 milhões que estavam registados no balanço de 2018.

Já os capitais próprios caíram para metade. Passaram de 753 milhões de euros para 337,4 milhões, o que representa uma descida de 55% entre o exercício de 2018 e 2019.

Ao longo do ano passado, a entidade liderada por Virgílio Lima registou também uma nova quebra no número de associados: registou a saída de quase 11 mil associados, contando agora com 601.784.

(Notícia atualizada.)

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