Banca & Finanças Não se sabe quem ganhou com a circularização mas houve quem se livrasse de dívida GES

Não se sabe quem ganhou com a circularização mas houve quem se livrasse de dívida GES

O esquema de financiamento do GES que passou pela Eurofin, e que causou perdas ao BES, continua envolto em dúvidas. Os beneficiários últimos são desconhecidos. Mas que serviu para libertar dívida do GES parece certo.
Diogo Cavaleiro 24 de fevereiro de 2015 às 17:55

Continua sem se saber quem poderá ter ganho dinheiro com as operações de circularização de obrigações. Mas há uma constatação já avançada anteriormente e que também foi retirada pelos antigos administradores executivos do Banco Espírito Santo: houve quem se conseguisse livrar de dívida de sociedades do Grupo Espírito Santo.

 

"Não é determinável que entidades se tenham apropriado de mais-valias", explicou Jorge Martins, na comissão parlamentar de inquérito ao banco, referindo-se à circulação de obrigações, intermediadas pela sociedade suíça Eurofin, e que acabaram por ser adquiridas pelo BES com prejuízo próprio. Nessas operações, estavam envolvidos quatro veículos.

 

"O que sabemos é que, entre Dezembro de 2013 e Junho de 2014, há transformações na constituição de activos dessas entidades: que passam de estruturas que tinham dívida GES substituídas na sua quase totalidade por dívida BES", continuou aquele membro da comissão executiva do BES liderada por Ricardo Salgado. Martins foi à comissão de inquérito juntamente com outro também ex-gestor do banco, João Freixa, sendo que ambos dizem ter tido conhecimento desta operação de circularização, que causou perdas ao banco na ordem dos 800 milhões de euros, apenas depois de acontecer.

 

Segundo se tem explicado, o banco emitiu obrigações, com uma taxa de retorno atractivo, depois vendidas pela Eurofin a outras entidades, os tais veículos. Estes veículos passavam a ter obrigações nas suas carteiras, posteriormente empacotadas e vendidas com rendibilidades mais baixas do que aquelas que foram emitidas a clientes de retalho do banco. Quando o banco verificou uma queda de reputação, em Junho, os detentores das obrigações quiseram vender – e o BES acabou por recomprá-las a preços mais elevados do que os praticados no mercado. O que causou aquela perda de 800 milhões.

 

Na audição, João Freixa rejeitou que a recompra de obrigações pelo banco tenha causado o prejuízo – o que causou, disse, foi o esquema de circularização: "Não são as compras e vendas que geram perdas. São as operações que terão acontecido entre o momento da emissão e o momento da colocação no retalho, com uma ‘yield’ mais baixa". O banco recomprou, sendo que Martins e Freixa dizem que, quando tal acontecia, não sabiam que havia este esquema por trás.

 

Segundo Jorge Martins, esta operação, que permitiu substituir dívida do GES por dívida do BES, terá quebrado as determinações do Banco de Portugal para separar o banco do grupo, o chamado "ring-fencing". Na sua audição, Ricardo Salgado assegurou que ninguém se apoderou do dinheiro, dizendo que serviu apenas para pagar algum do papel comercial do GES vendido nos balcões. 




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