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“Não há novidades”. É esta a resposta do Santander à polémica dos “swaps”

Nada de novo no que diz respeito ao processo em torno dos contratos derivados vendidos pelo Totta a empresas públicas que estão, neste momento, nos tribunais. Um desses “swaps” foi considerado por uma revista internacional como “candidato a pior operação de todos os tempos”. “Existem milhares de operações idênticas àquela a correr pelo mundo”, responde Vieira Monteiro.

Miguel Baltazar/Negócios
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António Vieira Monteiro não se alongou muito quando falou sobre os contratos de “swaps” de taxa de juro, um produto financeiro que serve para gerir a dívida contraída, vendidos a empresas públicas na última década e que se encontram neste momento em tribunal.

 

“Relativamente à situação nos tribunais, os processos estão a decorrer o estádio normal. Pensamos que não há novidades de maior na área dos processos”, afirmou o presidente do Santander Totta na conferência de apresentação de resultados desta terça-feira, 13 de Maio, em que foi anunciado o crescimento de quatro vezes do lucro.

 

“Não há nenhuma novidade”, reforçou o presidente do Totta quando questionado sobre se tem tido reuniões com o Governo para que haja um acordo extrajudicial. O banco de capital espanhol dirigiu-se aos tribunais ingleses, sob os quais se regem mais directamente os contratos financeiros derivados, para confirmar a validade de nove contratos “swap” vendidos, ao longo da última década, a empresas do sector empresarial do Estado - cuja validade foi questionada pelo Executivo.

 

Em entrevista ao Negócios, em Fevereiro, Vieira Monteiro tinha-se mostrado confiante de que "vai haver acordo" entre o banco que lidera e o Estado português. O Governo quis cancelar os contratos de “swap” considerados especulativos existentes nas carteiras de dívida das empresas mas não conseguiu chegar a acordo com o Santander Totta.

 

Neste momento, segundo indicações prestadas hoje pelo presidente da instituição financeira, o valor de mercado dos contratos é de 1.260 milhões de euros negativos para as companhias. As perdas potenciais de todos estes contratos financeiros das empresas públicas aproximava-se de 1.500 milhões nas contas do Orçamento do Estado, sendo que mais de dois terços correspondiam a “swaps” do Totta.


“Não há novidades” foi também a resposta do presidente da instituição quando questionado sobre se fez alguma proposta para chegar a um acordo com o Estado. Uma da sugestões da instituição financeira feitas no ano passado era o de ceder uma operação de financiamento ao Estado português com um montante e taxas de juro “bastantes favoráveis” como forma de compensar o cancelamento de “swaps”. O Governo não aceitou.

 

“Existem milhares de operações idênticas aquelas a correr pelo mundo”

 

Em relação à notícia do “Diário Económico” desta terça-feira, que cita um artigo da revista “Risk” e uma opinião da agência Bloomberg sobre “swaps”, António Vieira Monteiro não quis fazer comentários.

 

Na revista “Risk”, um analista considera que um dos “swaps” vendidos pelo Totta à Metro do Porto “é candidato a pior operação de todos os tempos”, sendo que um professor de Finanças da Universidade do Texas diz mesmo não conseguir encontrar “uma boa razão” para as características do referido contrato.

 

“Existem milhares de operações idênticas àquela a correr pelo mundo”, respondem o presidente executivo do Totta, recusando-se a fazer mais comentários.

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