Banca & Finanças Novo Banco chumba testes de stress por 1.398,37 milhões de euros no cenário adverso

Novo Banco chumba testes de stress por 1.398,37 milhões de euros no cenário adverso

No primeiro teste de stress a que foi sujeito pelo Banco Central Europeu, o Novo Banco não conseguiu cumprir o mínimo exigido. O banco tem duas semanas para apresentar um plano de capital que colmate as necessidades.
Novo Banco chumba testes de stress por 1.398,37 milhões de euros no cenário adverso
Bloomberg
O Novo Banco chumbou nos testes de stress do Banco Central Europeu. Apesar de passar no cenário base, caso as condições económicas fossem adversas, a instituição sob o comando de Eduardo Stock da Cunha teria a solidez sob pressão e não cumpriria o rácio de capital mínimo requerido. 

A autoridade monetária liderada por Mario Draghi identificou 1.398,37 milhões de euros em falta para que, num cenário adverso, o Novo Banco conseguisse cumprir esse rácio mínimo em 2017, de acordo com os dados do Banco Central Europeu este sábado, 14 de Novembro. 

No cenário base, o Novo Banco conseguiu superar o mínimo exigido. O rácio alcançado pelo banco, quando sujeito a condições económicas normais, na óptica do BCE, foi de 8,24%. O que, embora com pouca margem, consegue superar o mínimo exigido de 8%.

 

O mesmo não acontece quando o balanço da instituição, à data de fecho de contas de 2014, é sujeito a condições económicas adversas e, por isso, menos prováveis. Aqui, o rácio mínimo requerido por Frankfurt era de 5,5%, sendo que o rácio alcançado pelo Novo Banco foi de menos de metade: 2,43%. Esta diferença de 3,07 pontos percentuais corresponde à necessidade de 1.398,37 milhões de euros. O cenário adverso antevê uma recessão económica que leve o PIB português a registar uma redução acumulada de 2,8% entre este ano e 2017.


Duas semanas para plano

Segundo o BCE, não foram tomadas – nem contabilizadas no teste de esforço agora publicado – medidas pelo Novo Banco para colmatar as necessidades de capital ao longo de 2015. Mas até ao final do mês, terá de haver um plano desenhado por Stock da Cunha em Frankfurt.


"Os cinco bancos com défices terão de apresentar, no prazo de duas semanas a contar da data de publicação dos resultados, planos de capital que especifiquem as medidas pertinentes. A implementação e acompanhamento dessas medidas serão alinhados com o processo de análise e avaliação para fins de supervisão (Supervisory Review and Evaluation Process – SREP), conduzido pelas equipas conjuntas de supervisão responsáveis por supervisionar os bancos em causa", assinala o comunicado do BCE. Ou seja, até 28 de Novembro, o Novo Banco tem de entregar um plano de capital com as medidas necessárias para compensar o chumbo. 

Segundo o BCE, "as medidas correctivas não se limitarão a colmatar lacunas de capital". Os bancos têm também de tomar medidas correctivas relativamente aos resultados qualitativos da análise da qualidade dos activos, tais como fragilidades identificadas a nível de sistemas e processos", avisa o supervisor único. 

Dos nove bancos europeus sujeitos aos testes de stress do Banco Central Europeu este ano, cinco chumbaram. No total, para os cinco bancos que chumbaram nos testes de stress, foram identificadas necessidades de capital adicionais de 1,74 mil milhões de euros. Deste valor, cerca de 80%, ou seja, 1.398 mil milhões correspondem às insuficiências de solidez detectadas para o Novo Banco no cenário adverso do exercício.


No ano passado, quando a maioria dos bancos europeus foi sujeita à avaliação de Frankfurt, o Novo Banco escapou à mesma já que tinha sido constituído pouco antes na sequência da resolução aplicada ao Banco Espírito Santo. Em 2014, BPI e CGD conseguiram ultrapassar os cenários base e adverso com solidez mas o mesmo não aconteceu com o BCP, que também chumbou no cenário em que as condições económicas eram mais adversas.

Venda avança "de imediato" e seguradora vai ser vendida
A preparação da nova etapa do processo de venda [do Novo Banco] será iniciada de imediato, agora que está afastado um dos principais factores de incerteza que condicionou o procedimento anterior
Banco de Portugal


Em reacção à divulgação dos testes de stress, o Banco de Portugal afirmou que os resultados permitem relançar a venda do Novo Banco "de imediato".

"A preparação da nova etapa do processo de venda [do Novo Banco] será iniciada de imediato, agora que está afastado um dos principais factores de incerteza que condicionou o procedimento anterior", revela o Banco de Portugal no comunicado sobre os resultados dos testes de stress à instituição.

Para a entidade liderada por Carlos Costa, a necessidade de capital identificada está "genericamente alinhada com as expectativas e reflecte a natureza específica de banco de transição que resultou da medida de resolução aplicada ao Banco Espírito Santo". Mas não deixa de reconhecer que esta "insuficiência que terá que ser suprida".

Ainda no mesmo comunicado, o Banco de Portugal revela que o Novo Banco vai ter de vender a seguradora GNB - Seguros de Vida, no âmbito das medidas de curto prazo que têm que ser implementadas "em estreita coordenação e com o apoio do Banco de Portugal e do Fundo de Resolução".

O Nova Banco também reagiu aos resultados dos testes de stress, assegurando que as medidas que vai ter de tomar não vão afectar as relações com os seus clientes.

(Notícia actualizada com mais informações pelas 13h20)



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