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Novo Banco completa dois anos com estreia do terceiro presidente

Vítor Bento, Stock da Cunha e António Ramalho. São três os gestores estão ou estiveram à frente do banco que ficou com grande parte da operação do antigo Banco Espírito Santo. Para os três, o objectivo foi e é vender o banco.

Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 01 de Agosto de 2016 às 08:48
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1 de Agosto de 2014: o Banco Espírito Santo, já fora da alçada de Ricardo Salgado, está em queda abrupta na Bolsa de Lisboa. Está já em preparação a queda do BES e a sua transformação numa outra entidade livre do que tem de tóxico, nomeadamente a exposição a Angola. É dois dias depois, no domingo 3, que essa transformação acontece. Chama-se resolução e com ela grande parte da operação do BES segue para um banco de transição.

 

3 de Agosto de 2014: nasce o Novo Banco. "O conselho de administração do Banco de Portugal deliberou, no dia 3 de Agosto de 2014, aplicar ao Banco Espírito Santo, S.A. uma medida de resolução. A generalidade da actividade e do património do Banco Espírito Santo, S.A. é transferida, de forma imediata e definitiva, para o Novo Banco, devidamente capitalizado e expurgado de activos problemáticos", anuncia o Banco de Portugal. 

 

Vítor Bento, que substituíra Salgado no BES em Julho, aceita ficar no Novo Banco, ao lado de José Honório e João Moreira Rato. O mandato do conselho de administração tem dois anos. Devia estender-se, portanto, até 3 de Agosto de 2016. Mas a vida do Novo Banco não foi tão linear. E Vítor Bento há muito que deixou de fazer parte dela.

 

Esta segunda-feira, 1 de Agosto de 2016, é o primeiro dia de António Ramalho à frente do Novo Banco. É o terceiro presidente. Sai da Infraestruturas de Portugal, entidade que fundiu a Estradas de Portugal e a Refer, para a instituição financeira que está em processo de venda. Há duas modalidades para a alienação do banco mas só em Setembro, segundo avançou o Diário de Notícias na semana passada, se deverá saber qual segue em frente. Na venda a investidores estratégicos, foram apresentadas quatro propostas (uma delas é apenas uma carta de "intenções", do BCP), a que se juntam a do BPI, Lone Star e Apollo/Centerbridge; a alienação em mercado poderá ser aprovada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários se apenas destinada a investidores institucionais e não no retalho. Não se sabe, por isso, se terá de participar numa nova fusão bancária. 

 

Certo é que o Novo Banco vai já no segundo processo de venda porque o primeiro foi um fracasso. Ambos foram feitos com Eduardo Stock da Cunha à cabeça da instituição financeira depois de ter vindo substituir Vítor Bento em Setembro de 2014. Foi precisamente a venda que levou à saída de Vítor Bento.

 

O agora "chairman" da SIBS, que era CEO antes de passar pelo Novo Banco, discordava da estratégia do governador Carlos Costa: não queria uma venda imediata mas sim a sua recuperação e inversão da situação financeira. Como não conseguiu levar a sua ideia avante, Bento bateu com a porta. E foi em Londres que o Banco de Portugal procurou por Stock da Cunha, que veio com uma licença sem vencimento do Lloyds. A licença acabava em Março deste ano mas foi estendida até ao Verão. Não mais que isso.

 

Stock da Cunha sai sem conseguir vender o banco, o que já teve influência noutras entidades. Aliás, uma das justificações faladas para que a resolução do Banif não fosse feita através da constituição de um banco de transição mas sim com uma venda directa a outra entidade foi o fracasso da primeira venda do Novo Banco, segundo foi dito na comissão de inquérito ao Banif.

 

Stock da Cunha sai, também, sem o colocar a dar lucros. Na sexta-feira, o banco anunciou um novo resultado líquido negativo, desta vez de 362,6 milhões de euros no primeiro semestre de 2016, superiores ao do mesmo período do ano anterior.

 

Desafios que ficam para António Ramalho, que assume esta segunda-feira, 1 de Agosto, a tarefa de liderar o Novo Banco. Um banco que tem estabilidade na liderança da concorrência: tirando na Caixa, onde José de Matos está de saída para dar lugar a António Domingues, os restantes bancos têm estado intactos. Nuno Amado permanece à frente do BCP. Fernando Ulrich continua a ser o líder do BPI e António Vieira Monteiro segue como timoneiro do Santander Totta. 

(Notícia actualizada às 9:00 com último parágrafo)



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