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Novo Banco não foi para a bolsa porque tinha contas com reservas

O Banco de Portugal descartou a possibilidade de dispersar o capital do Novo Banco em bolsa porque a instituição tinha contas com reservas. Regras dos Estados Unidos desvalorizavam o activo. Restantes propostas nunca foram firmes. 

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Maria João Gago mjgago@negocios.pt 23 de Maio de 2017 às 18:29
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A possibilidade de dispersar o capital do Novo Banco em bolsa foi afastada pelo Banco de Portugal devido à existência de reservas nas contas da instituição, revelou Sérgio Monteiro no Parlamento. 

 

"Havia uma dificuldade. Havia reservas às contas do Novo Banco relacionada com a dificuldade de garantir a recuperação de DTA [activos por impostos diferidos]. Esta reserva impedia que a oferta fosse feita nos Estados Unidos, a não ser que os DTA saíssem do Banco, o que abriria necessidades de capital na instituição ", revelou um dos três coordenadores do processo de venda. 

 

Segundo Sérgio Monteiro, ainda foram feitas diligências para que o auditor, a PwC retirasse essa reserva, pedido que a empresa de auditoria recusou. Este problema só foi superado nas contas do Novo Banco relativas ao final de 2016. 

Relativamente às restantes propostas de compra que ficaram para trás, face à vitória da Lone Star, Sérgio Monteiro garante que não houve outras ofertas firmes. 

 

A proposta do consórcio Apollo/Centerbridge para a compra do Novo Banco não chegou a ser vinculativa. "Houve um candidato que pediu sempre mais tempo para tornar firme a sua proposta", revelou Sérgio Monteiro, coordenador do processo de alienação na comissão parlamentar de Orçamento Finanças e modernização Administrativa. 

O responsável revelou que este candidato pediu seis a oito semanas além de 24 de Fevereiro para apresentar uma oferta vinculativa, o que significava que só em Abril a proposta seria firme. Neste contexto, a 17 de Fevereiro o Banco de Portugal decidiu negociar em exclusivo com a Lone Star, já que "não era crível que mais tempo assegurasse uma melhor proposta", sublinhou Sérgio Monteiro. 

 

Por seu turno, a oferta da China Minsheng era "melhor do ponto de vista de valor, mas nunca chegou a ser transaccionável, pela falta de documentos confirmativos que permitissem a comprovação da existência de fundos para assegurar injecção de capital no Novo Banco".

 

Quanto à tentativa da Aethel entrar no processo, Sérgio monteiro revelou que este investidor "fez a primeira interacção connosco em Janeiro", recebendo como resposta que "só juntando-se a um dos candidatos" poderia entrar no concurso. 

 

O coordenador do processo admitiu ainda disponibilizar ao Parlamento a "troca de correspondência com a Aethel", para a COFMA poder avaliar os pormenores desta indicativa, desde que o investidor aceite está partilha. 

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