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Novo Banco tem prejuízos de 467,9 milhões de euros entre Agosto e Dezembro

As imparidades para crédito mas também para as participações na PT e na Oi penalizaram as contas do Novo Banco desde a sua constituição até ao final de 2014. Os depósitos subiram. O crédito caiu, tendo aumentado o malparado. Com prejuízos de 467,9 milhões, o rácio de solvabilidade deteriorou-se.

Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 09 de Março de 2015 às 09:00
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O Novo Banco apresentou um prejuízo de 467,9 milhões de euros entre 4 de Agosto, o primeiro dia de operações após a sua constituição, e 31 de Dezembro de 2014. Já o rácio de common equity tier 1, que mostra a solvabilidade da instituição, ficou-se pelos 9,6%, abaixo dos 10,3% reportados aquando da sua criação, prejudicado por esse prejuízo.

 

Estes são os primeiros resultados apresentados pela entidade presidida por Eduardo Stock da Cunha, conforme aponta o comunicado divulgado esta segunda-feira, 9 de Março, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). 

 

"O desempenho do Grupo Novo Banco nos primeiros cinco meses da sua existência, foi condicionado pelas circunstâncias excepcionais que ditaram a sua criação e que se reflectiram em vários domínios da sua actividade, bem assim como pela conjuntura nacional caracterizada por fraco dinamismo da actividade económica, níveis de desemprego elevados e taxas de juro muito baixas", sublinha o comunicado emitido esta segunda-feira. 

 

Comissões e operações financeiras impedem maior prejuízo  

 

As comissões de serviços a clientes saldaram-se "por um contributo positivo para os resultados no valor de 178,2 milhões de euros", gerando um produto bancário comercial (o volume de receitas das operações bancárias) de 444,5 milhões. A margem financeira (diferença entre juros pagos em depósitos e juros recebidos em créditos) ficou-se pelos 266,3 milhões.

 

Também as operações financeiras ajudaram as contas, com 344 milhões de euros. Aqui, o grande impulso deveu-se à exposição aos dólares americanos, que beneficiou da valorização desta moeda. Além disso, a reavaliação de passivos deu um impulso: as rendibilidades associadas às obrigações do Novo Banco deslizaram e permitiram a "redução dos passivos" dos veículos SPE, constituídos essencialmente por essas obrigações.

 

Assim, o produto bancário global (o volume de receitas total da instituição) ascendeu a 788,5 milhões de euros.

 

Por outro lado, "os custos incorridos nos cinco meses de actividade foram de 386,6 milhões de euros, apresentando no quarto trimestre uma redução de 5,8% em relação aos custos comparáveis do trimestre anterior".

 

Aqui, a fatia dos custos com pessoal é a maior: 191,2 milhões. "Sublinha-se o facto de incluírem 22 milhões de custos com a reforma antecipada de 53 colaboradores". Em Dezembro, contavam-se 7.772 trabalhadores, comparáveis aos 7.887 a 4 de Agosto em todo o grupo. Em Portugal, havia 6.950 postos de trabalho aquando da resolução, cortados para 6.834 no final do ano. 

 

O resultado bruto (diferença entre produto bancário global e custos operacionais) ficou-se pelos 419,9 milhões mas, em termos comerciais (que compara os custos operacionais com o produto bancário comercial), o resultado bruto é apenas de 75,9 milhões.

 

Imparidades sobem prejudicadas pela PT

 

Com o forte impacto das provisões, o resultado passa para terreno negativo. O custo total das imparidades ascendeu a 699,1 milhões de euros, com perto de 378 milhões para o reforço de provisões no crédito a clientes: "desvalorização de alguns colaterais financeiros decorrente da queda acentuada no valor das acções, sobretudo no mercado doméstico".

 

As provisões também foram elevadas porque o grupo decidiu reconhecer imparidades de 199,7 milhões de euros em relação a participações accionistas. "Nos títulos, para além da queda significativa geral do PSI-20, assinala-se a desvalorização nas participações na Portugal Telecom e na Oi", justifica a instituição financeira. Só a PT e Oi explicam 108 milhões desta imparidade. 

 

Este conjunto de contas acabou por levar ao prejuízo de 467,9 milhões de euros. O Novo Banco defende que, sem efeitos extraordinários (como estas imparidades), o resultado líquido negativo seria de 229,7 milhões de euros.

 

Depósitos sobem, crédito cai. Malparado dispara 

 

Em termos operacionais, os recursos de clientes (depósitos, obrigações colocadas e produtos de seguro vida) deslizaram entre Agosto e Setembro. Contudo, recuperaram posteriormente até Dezembro. Os recursos totais ascenderam a 35,6 mil milhões de euros (melhoria de 2% face a 4 de Agosto), suportados pela recuperação de 8% dos depósitos, que se fixaram em 26,6 mil milhões – contrariando a forte retirada de depósitos que houve quando a instituição era ainda o Banco Espírito Santo.

 

Já o crédito a clientes deslizou 3,8%, sendo que houve uma queda mais expressiva nos empréstimos cedidos às empresas (4,4%) do que aos particulares (2,5%). Nos cinco meses de actividade, a redução aconteceu tanto nos créditos em Portugal, em 1,4 mil milhões, como na área internacional, em 400 milhões. Ao todo, o crédito ficou-se pelos 40,6 mil milhões. 

 

A qualidade dos créditos deteriou-se. "O crédito vencido registou um aumento de 15,5% e o crédito vencido há mais de 90 dias cresceu 7,8%", indica o comunicado. O crédito vencido há mais de 90 dias representa 8,7% do crédito a clientes total, face aos 7,5% alcançados em 4 de Agosto.

 

"O ainda fraco dinamismo da actividade económica conduziu a que se registasse um agravamento do risco de crédito e dos respectivos indicadores". As provisões para crédito subiram 3,8% para 5.131 milhões.

 

Apesar dos piores níveis de qualidade do crédito, a verdade é que o rácio de transformação do Novo Banco melhorou. O rácio de transformação compara o nível de depósitos e de crédito. Como houve uma subida dos depósitos e uma queda da carteira de empréstimos, o rácio passou de 140%, à data de abertura do balanço, para 126%, no final do ano.

 

Observando a solvabilidade, o rácio common equity tier 1 ficou-se pelos 9,6%, abaixo dos 10,3% de 4 de Agosto, prejudicado já pelos prejuízos de 467,9 milhões reportados no período.

 

(Notícia actualizada às 10h02 com mais informações; rácio e resultado líquido negativo foram entretanto corrigidos)

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