Banca & Finanças O conselho de Ricardo Salgado contado por quem o recebeu

O conselho de Ricardo Salgado contado por quem o recebeu

A história já tinha sido contada mas sempre na terceira pessoa. À comissão de inquérito, José Guilherme fala na primeira pessoa sobre o motivo pelo qual passou a investir em Angola.
O conselho de Ricardo Salgado contado por quem o recebeu
Duarte Roriz
Diogo Cavaleiro 31 de março de 2015 às 16:00

José Guilherme queria ir para o Leste europeu e, sabe-se agora, até terá constituído uma empresa búlgara. Um conselho de Ricardo Salgado levou-o para Angola. Mas tudo começou por causa da crise.

 

"Comecei a sentir dificuldades no sector imobiliário e da construção em 2006, já antecipando a crise que veio a instalar-se a partir de 2008. Essas dificuldades que sentia obrigaram-me a procurar novos mercados onde pudesse desenvolver a minha actividade e realizar meios de que necessitava para honrar as minhas responsabilidades", começa por responder o construtor civil.

 

Na carta que enviou à comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES, José Guilherme relata que "tinha recebido boas indicações sobre o mercado de promoção imobiliária e da construção em países do leste europeu, em particular na Bulgária e na Polónia" "Estava inclinado a ir trabalhar para lá, tendo mesmo, se bem me recordo, chegado a constituir uma sociedade na Bulgária", continuou.

 

Mas, depois, um conselho do ex-líder do Banco Espírito Santo mudou essa intenção: "A conselho do Dr. Ricardo Salgado, que me chamou a atenção para as dificuldades que poderia enfrentar nesses mercados e me aconselhou ponderar Angola, e também porque não sei falar outra língua que não seja o português, acabei por me decidir por Angola".

 

Esta história tem sido avançada como a justificação para a "liberalidade" de 14 milhões de euros que José Guilherme deu a Ricardo Salgado por ter apostado em Angola. Foi agora relatada pela pessoa que recebeu o conselho nas respostas à comissão de inquérito. 

 

Neste momento, o construtor civil tem participações em mais de 20 sociedades, sendo que, segundo o próprio, apenas três têm interesses ou participações em Angola.




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