Banca & Finanças O que disse Jorge Tomé na segunda audição da comissão de inquérito ao Banif

O que disse Jorge Tomé na segunda audição da comissão de inquérito ao Banif

Jorge Tomé, que liderou o Banif entre 2012 e 2015, teve uma intervenção inicial de duas horas. Depois, ainda respondeu aos deputados. E, aí, em mais cinco horas e meia, continuou com ataques ao Banco de Portugal.
O que disse Jorge Tomé na segunda audição da comissão de inquérito ao Banif
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 29 de março de 2016 às 22:47

No arranque da audição desta terça-feira, 29 de Março, Jorge Tomé leu uma intervenção inicial de duas horas. E começou ao ataque e a atirar responsabilidades. A primeira foi para o Banco de Portugal e para o Governo por terem sido, "numa conjugação de esforços", quem decidiu a capitalização estatal de 1,1 mil milhões de euros em 2013.

 

Sobre o acompanhamento que o Estado fez ao Banif após esta injecção de dinheiro público, o presidente do banco entre 2012 e 2015 quis frisar que havia sempre, pelo menos, dois representantes estatais e que um deles tinha mesmo poder de veto nas deliberações da comissão executiva.

 

O ataque também se dirigiu à Direcção-Geral da Concorrência, com Jorge Tomé a revelar que os desejos iniciais – e finais – de Bruxelas passavam por tornar o Banif no "banco das ilhas". O que o reduziria a um quinto da sua estrutura.

 

Não só: a TVI também foi visada pela sua notícia que dava conta do fecho do banco – que não se concretizou mas que precipitou uma fuga de depósitos. Algo que, segundo Jorge Tomé, ditou, "em definitivo", a resolução determinada no final de 2015.

 

O acompanhamento dessa resolução foi feito pela consultora Oliver Wyman, cuja contratação levanta dúvidas a Jorge Tomé por esta ter sido, também, a consultora que assessorou os planos de reestruturação e recapitalização do banco.


Mas antes mesmo da resolução, que implicou a venda da principal actividade do banco ao Santander Totta, houve clientes do Banif a mostrar apreensão por terem informações, obtidas junto de balcões do banco de capitais espanhóis, que o Banif iria encerrar.

 

Sobre a venda ao Totta que acabou por acontecer, Jorge Tomé disse que o grupo americano Apollo estava melhor preparado e conhecia melhor o Banif.

 

Do passo, Jorge Tomé falou no banco que o o Banif tinha no Brasil, e que dificultou a devolução de dinheiro estatal (contribuindo para a resolução), o antigo CEO do banco afirmou que houve uma "gestão dolosa".

 

Também a ligação entre o banco fundado por Horácio Roque o Grupo Espírito Santo foi comentada: "O BES empresta dinheiro ao Banif. O Banif empresta dinheiro a duas empresas do grupo GES".




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