Banca & Finanças O que disse Maria Luís Albuquerque na sexta audição da comissão de inquérito ao Banif

O que disse Maria Luís Albuquerque na sexta audição da comissão de inquérito ao Banif

Começou com uma hora de atraso mas não impediu que a audição da ex-ministra se prolongasse por mais de cinco horas. Maria Luís Albuquerque defendeu que o Governo actuou de forma diligente.
O que disse Maria Luís Albuquerque na sexta audição da comissão de inquérito ao Banif
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 07 de abril de 2016 às 00:26

Maria Luís Albuquerque deixou de ser ministra das Finanças em Novembro de 2015. "Quando cessei funções, nada faria prevê um desfecho com este custo", disse a antiga governante na audição, que tinha este tema nas suas mãos desde a tomada de posse.

 

A agora deputada pelo PSD argumenta que foi pouco antes disso que percebeu que o Banif precisava de uma solução até ao final do ano. E que não podia ser a solução estudada até ali. Foram duas surpresas súbitas, uma trazida pelo Banco de Portugal, outra pela Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia.

 

Aliás, a posição de Bruxelas foi criticada por Maria Luís Albuquerque porque, segundo a própria, podia ter actuado sobre o Banif desde o início de 2013.

 

Uma actuação que podia vir desde a capitalização feita no arranque de 2013, com a colocação de 1,1 mil milhões de euros estatais. A ex-ministra justificou que o Governo injectou o dinheiro público porque havia um "parecer de viabilidade" dado pelo Banco de Portugal.


O Estado ficou com uma posição maioritária no Banif e tinha de vendê-la. Não conseguiu. Nunca foi lançado um concurso. Embora fossem "muitos" os interessados, não havia certezas de que o processo não ficasse "deserto".

 

O banco foi fazendo uma reestruturação apesar de não haver um plano aprovado por Bruxelas, que provasse que a ajuda estatal de 2013 era legal. Maria Luís Albuquerque propôs-se a promover a substituição de Jorge Tomé, para facilitar a aprovação do plano pela Comissão Europeia, mas não foi bem sucedida. Ninguém aceitou.

 

Apesar dos riscos sobre o Banif, Maria Luís Albuquerque garante nunca ter tido contactos directos com o Presidente da República sobre o tema, já que não era ela a responsável por esse contacto.

 

Maria Luís também rejeita ter tido qualquer papel na venda de uma carteira de crédito malparado à Arrow ou a empresas que integram o grupo para onde, depois de sair do Governo, foi trabalhar como administradora. "Não me foi perguntado", disse. Nem tinha de ser, argumentou.

 

Com quem a então responsável pelas Finanças se reuniu foi com o presidente do Santander, António Vieira Monteiro.

 

Apesar de já se estar na sexta audição, continuam os pedidos de documentação. O PCP solicitou as actas de reuniões do conselho de governadores e conselho de supervisão do BCE em que o Banif foi tema e que o Banco de Portugal não se disponibilizou a enviar.




Notícias Relacionadas
pub

Marketing Automation certified by E-GOI