Banca & Finanças Os 17 deputados que vão escrutinar 16 anos de Caixa Geral de Depósitos

Os 17 deputados que vão escrutinar 16 anos de Caixa Geral de Depósitos

São 17 deputados efectivos que vão analisar o passado e o presente do banco público. Muitos repetentes de comissões de inquéritos. Outros estreantes nestas lides, estreantes até no Parlamento.
Os 17 deputados que vão escrutinar 16 anos de Caixa Geral de Depósitos
Bruno Simão
Diogo Cavaleiro 27 de julho de 2016 às 07:00

A comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos começou atribulada, com pedidos de auditorias e com números incertos para a recapitalização do banco público. As audições a personalidades arrancam esta quarta-feira, 27 de Julho, ainda antes das férias parlamentares. O presidente da comissão executiva do banco, José de Matos, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, e o ministro das Finanças, Mário Centeno, são os primeiros a sentar-se perante os 17 deputados efectivos que vão escrutinar os últimos 16 anos de vida da Caixa Geral de Depósitos. Mas quem são eles?

 
O presidente da comissão

José Matos Correia – Faz parte do grupo de deputados do PSD que, em 2003, instituiu o dia dos avós. É consultor do escritório de advogados CMS Rui Pena & Arnaut desde 2008. Especializado em direito constitucional, é vice-presidente da Assembleia da República. É o nome escolhido pelos social-democratas para presidir à comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos. O deputado está há quase tantos anos no Parlamento como aqueles que estarão sob análise no inquérito parlamentar ao banco público. José Matos Correia já tinha sido falado para presidir ao inquérito ao BES e ao GES – na altura, o Expresso adiantou que a escolha recaiu sobre Fernando Negrão depois da rejeição de Matos Correia pela sua estreita ligação a Durão Barroso, que estava ligado ao BES. Aliás, foi chefe de gabinete de Barroso em 2002 – ano que está já sob escrutínio no inquérito parlamentar – e congratulou-se, no Parlamento, com a sua nomeação para presidente da Comissão Europeia. 

 

Partido Social Democrata  

Hugo Soares – Deputado desde 2011, Hugo Soares já participou na comissão de inquérito aos "swaps" e também esteve presente no segundo inquérito parlamentar ao BPN. Agora, chega à coordenação de uma iniciativa do Parlamento que tem poderes idênticos às autoridades judiciais. Antigo líder da JSD, foi ele o deputado social-democrata que quis promover um referendo à co-adopção por casais homossexuais que foi rejeitado pelo Tribunal Constitucional. Advogado, também é deputado municipal na Assembleia de Braga, círculo pelo qual foi eleito para o Parlamento. 

 

Adão Silva – O Parlamento não é novidade para o deputado social-democrata Adão Silva: foi eleito pela primeira vez em 1987. Não esteve em funções entre 1995 e 1999 mas, de resto, esteve sempre no grupo parlamentar. Tem estado presente, em várias legislaturas, na comissão de Trabalho e Segurança Social e, no passado, foi já o coordenador do PSD na comissão de inquérito aos "swaps" subscritos por empresas públicas.

 

Carlos Costa Neves – Foi ministro dos Assuntos Parlamentares durante pouco tempo: no segundo Governo liderado por Passos Coelho. Tinha já tido uma experiência de reduzida dimensão em 2004/2005 quando foi, no Executivo de Santana Lopes, o ministro da Agricultura, Pescas e Florestas. Defesa nacional e assuntos europeus são as duas comissões permanentes de que faz parte, a que se junta agora o banco público.

 

Emídio Guerreiro – Outra aquisição do anterior Governo. Deputado desde 2005, foi secretário de Estado do Desporto e Juventude entre 2013 e 2015. Esteve na administração do Instituto da Droga e Toxicodependência, tendo experiência enquanto vereador em Guimarães. Aliás, naquela região, também foi conselheiro do Vitória Sport Clube. É licenciado em Psicologia mas também frequentou um mestrado em Gestão, contando com um MBA em Gestão Estratégica pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

 

Margarida Balseiro Lopes – Nascida em 1989, é presidente da Juventude Social Democrata no distrito de Leiria, sendo também membro da Assembleia Municipal da Marinha Grande. Eleita por Leiria, é licenciada em Direito, área em que tem um mestrado, juntamente com Gestão. Foi tesoureira de várias direcções académicas ligadas à Faculdade de Direito de Lisboa. No Parlamento, para onde foi eleita pela primeira vez nesta legislatura, faz parte da comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa.

 

Margarida Mano – É uma repetente. Já esteve na comissão de inquérito ao Banif, de onde é uma das poucas deputadas do PSD a transitar. Por quatro anos foi vice-reitora da Universidade de Coimbra, de onde saiu para integrar o segundo Executivo liderado por Passos Coelho enquanto ministra da Educação e Ciência. Segundo o registo de interesses no site do Parlamento, detém 50% da Colourus, uma empresa de compra e venda de imóveis.

 

Partido Socialista

 

João Paulo Correia – É o socialista que vai coordenar os trabalhos do inquérito parlamentar - que o PS não queria que seguisse em frente – e é também o coordenador do grupo parlamentar na comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa. João Paulo Correia tem estado na comissão permanente que olha para o orçamento e para as finanças do país desde que é deputado, ou seja, 2009. Já esteve em comissões de inquérito nas iniciativas que analisaram a Fundação para as Comunicações Móveis e a Tragédia de Camarate.

 

Paulo Trigo Pereira – Está, pelo PS, na comissão de Orçamento, onde é vice-presidente. O economista recebe agora a participação no inquérito parlamentar, onde também será vice-presidente, ao lado de José Matos Correia. Tem feito várias intervenções sobre temas económicos na actual legislatura, a primeira em que é deputado.

Carlos Pereira – Socialista que participa no inquérito à CGD e que também esteve na comissão do Banif. Vindo da Madeira, é licenciado em Economia. Nos cargos já por si exercidos destaca-se a de director da Sociedade de Desenvolvimento da Madeira, a entidade que gere a Zona Franca da Madeira. É na região autónoma que tem parte da sua vida política, por exemplo como vereador do município do Funchal.

 

João Galamba – Economia é a sua área e é do que mais fala enquanto porta-voz do PS. Além de deputado, também é comentador no Canal Q. Tem já uma lista de várias comissões de inquérito em que participou desde que é deputado, 2009: Fundação para as Comunicações Móveis, "swaps" de empresas públicas, BES e GES, Banif e, agora, Caixa Geral de Depósitos. Ao contrário do banco da Madeira, Galamba não vai, desta vez, ser o coordenador socialista na comissão de inquérito.

 

Santinho Pacheco – Foi deputado de 1999 a 2002 e regressou agora, novamente pelas listas do PS, ao Parlamento. Professor, tem no seu passado a presidência da Câmara Municipal de Gouveia e é na região da Guarda que se concentra: é ainda presidente da Liga de Amigos do Hospital da Guarda. Vários requerimentos que apresentou na primeira passagem pela Assembleia da República são referentes àquele distrito. "Extensão da rede de gás natural aos concelhos de Gouveia e Seia" é um dos exemplos.

 

Sónia Fertuzinhos – Camarate, "swaps" e tentativa de compra da TVI: são estes os objectos das comissões de inquérito em que Sónia Fertuzinhos participou antes da Caixa Geral de Depósitos. Desde 1995 que tem lugar no Parlamento enquanto deputada, centrando-se nas questões ligadas à família. Relações Internacionais – Económicas e Políticas é a área onde é graduada a deputada, que é vice-presidente do grupo parlamentar socialista.

 

Susana Amador – Foi presidente da Câmara Municipal de Odivelas, de onde saiu em 2015 para integrar as listas do PS para a Assembleia da República. Tinha já estado no Parlamento entre Fevereiro e Outubro de 2005, de onde saíra, precisamente, para a presidência do município vizinho da capital. Eleita por Lisboa, é jurista e assume que a sua paixão é a "educação". A igualdade de género é outra das áreas de actuação enquanto deputada.


Bloco de Esquerda


Moisés Ferreira –
Mariana Mortágua deixa a liderança bloquista das comissões de inquérito, depois do BES e do Banif, abrindo espaço a Moisés Ferreira. Com 30 anos, é o deputado efectivo do Bloco de Esquerda na comissão de inquérito à Caixa. Antes de eleito deputado, em 2015, era já assessor na área de economia e finanças, tendo aliás participado no grupo que redigiu o programa económico do Bloco para as eleições e que serviu de base para os acordos feitos pelo grupo com o PS. Psicólogo de formação, é também deputado municipal em Santa Maria da Feira. As áreas de preferência aquando da eleição eram a saúde e os assuntos europeus.

CDS-PP 

 

João Almeida – O centrista salta da coordenação da comissão de inquérito ao Banif para a da Caixa. Desde 2002 que anda pelos corredores do Parlamento, onde já participou em inúmeros inquéritos parlamentares: PT/TVI, BPN, "swaps", Camarate e ainda Benfica SAD. Acompanhou o Euro2004 no Parlamento e está ligado ao futebol como membro do conselho geral do Belenenses. Porta-voz do CDS-PP, foi secretário de Estado da Administração Interna nos dois últimos Governos de coligação entre os centristas e o PSD.

 


Partido Comunista Português

 

Miguel Tiago – Tem sido a escolha dos comunistas para marcar presença nas comissões de inquérito que têm a banca como objecto. Banco Espírito Santo, Banif e, agora, Caixa Geral de Depósitos são os inquéritos em que já esteve presente pelo PCP, partido que defende o controlo público da banca. Licenciado em Geologia Aplicada e do Ambiente, Miguel Tiago é o coordenador da comissão de Ambiente, estando também na comissão de Educação. Além da banca, já olhou para outros temas nas comissões de inquérito em que participou: Camarate e Fundação para as Comunicações Móveis.


É deste leque de deputados que sairá o deputado relator, isto é, o parlamentar que terá a responsabilidade de relatar os factos que vierem a ser revelados na comissão de inquérito. Nesse trabalho, terá de retirar conclusões e deixar recomendações para que os problemas que deram origem a esta iniciativa parlamentar não se voltem a repetir. 

 

Além dos 17 deputados efectivos, a comissão de inquérito conta ainda com 12 deputados suplentes, muitos deles já repetentes em iniciativas deste género, sobretudo nos partidos menos representados. 

 

PSD – António Leitão Amaro, Duarte Marques e Inês Domingos

PS – Luís Moreira Testa, Sofia Araújo e Tiago Barbosa Ribeiro

BE – Mariana Mortágua e Paulino Ascenção

CDS-PP – António Carlos Monteiro e Cecília Meireles

PCP – Bruno Dias e Paulo Sá



(Notícia rectificada às 12:17 para esclarecer que Matos Correia é vice-presidente da Assembleia e não do grupo parlamentar)

José Matos Correia, do PSD, preside à comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos
José Matos Correia, do PSD, preside à comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos
Bruno Simão




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