Banca & Finanças Paulo Macedo diz que reduções de pessoal e de agências “são decisões delicadas”

Paulo Macedo diz que reduções de pessoal e de agências “são decisões delicadas”

O presidente da Caixa Geral de Depósitos elege como as suas decisões mais delicadas a redução do quadro de pessoal, o encerramento de agências e aumento de comissões, em entrevista ao Eco.
Paulo Macedo diz que reduções de pessoal e de agências “são decisões delicadas”
Miguel Baltazar
Negócios 23 de maio de 2017 às 11:48

Paulo Macedo cumpriu 100 dias à frente da Caixa Geral de Depósitos e a efeméride foi o mote para uma entrevista ao jornal Eco. O presidente do banco público elege como decisões mais difíceis as que envolvem a dispensa de colaboradores, bem como a redução de balcões, e lamenta que a CGD seja permanentemente alvo de tentativas de politização, como sucedeu com o encerramento do balcão de Almeida.

 

Na entrevista, e questionado sobre qual a decisão mais difícil que teve de tomar, Paulo Macedo disse que a sua gestão está focada na "redução dos custos" e que "as reestruturações mexem com as pessoas, e quando falamos de pessoas são sempre questões sensíveis". "A redução do quadro de pessoal, o encerramento de agências e o aumento das comissões são decisões delicadas e exigentes que merecem a nossa atenção e reflexão", assume.

 

Paulo Macedo diz ver "diariamente" tentativas de "politizar ou trazer a Caixa para o centro do debate político, seja a nível nacional ou local", em especial no caso do encerramento de balcões – incluindo o de Almeida, que tem ocupado o espaço mediático devido à contestação local. E justifica: "a Caixa não faz a reestruturação da sua rede por capricho, faz porque a relação com a banca, da maioria das pessoas, mudou".

 

Adicionalmente, a CGD "compete em igualdade de circunstâncias com os outros bancos e não pode ficar alheada da redução massiva da rede de balcões e da redução de custos pesados de estrutura que os clientes da banca não estão disponíveis para pagar". "Nós queremos uma Caixa, não uma Caixinha. Gostávamos muito que a Caixa saísse da arena política, e que não fosse utilizada para a política eleitoral autárquica, como aconteceu recentemente", revelou ao Eco.

 

Exigência pública na CGD é maior do que na banca privada

 

E quais são as diferenças entre gerir um banco privado – Macedo já esteve no BCP e BPI – e um banco público? Embora "para o regulador" não existam diferenças, "existe uma diferença enorme em termos de exposição e ruído (solicitando nomes de clientes, planos estratégicos, etc.), que não deve ser confundido com escrutínio e pedidos de informação à gestão".

 

"O enquadramento externo e a exigência pública são muito diferentes. Não é indiferente gerir um banco privado ou contar com opiniões diárias que querem da Caixa uma coisa e o seu contrário", observa.


Macedo assume ainda como objectivo tornar-se líder no segmento das "empresas, e dentro destas, nas PME". "Não há nenhuma razão para que a Caixa não materialize o que conseguiu nas linhas de crédito contratualizadas, em que é claramente líder, em todos os serviços às empresas".




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