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Paulo Macedo: "É discutível se se consegue dominar a inflação com taxas de juro abaixo dessa inflação"

CEO da Caixa Geral de Depósitos avisa para efeitos recessivos de taxas de juro demasiado elevadas mas avisa que não é claro se é possível dominar a escalada de preços com taxas de juro inferiores à inflação.

António Pedro Santos / Lusa
Hugo Neutel hugoneutel@negocios.pt 22 de Novembro de 2022 às 16:55
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O presidente da comissão executiva da Caixa Geral de Depósitos (CGD) alerta que taxas de juro superiores ao valor da inflação - que em Portugal já ultrapassou a barreira dos 10% - podem ter "um efeito fortemente recessivo, além de afetar as empresas e as famílias".

No encontro "Fora da Caixa" que decorreu nesta terça-feira na Figueira da Foz, Paulo Macedo afirmou que os sinais apontam para que em 2023 a subida dos preços abrande, mas lembrou que "a questão é se fica em valores de 3% ou 4% ou 5% que serão valores controláveis, ou se continuarão com valores acima de 5% ou 6% ou 7%, e aí com problemas para a economia, para os salários reais, para o consumo, o poder de compra".

O CEO do banco público alertou ainda que "é muito discutível se se consegue dominar a inflação com taxas de juro abaixo do valor dessa inflação", acrescentando que "uma coisa é nós termos o valor da inflação nos dois, três ou quatro por cento, e outra coisa é termos inflação mais alta".

As afirmações de Paulo Macedo acontecem num contexto em que o Banco Central Europeu (BCE) - tal como outros bancos centrais e a Reserva Federal norte-americana - têm subido as taxas diretoras numa tentativa de conter a escalada generalizada de preços. Desde julho o BCE já subiu as taxas de juro por três vezes, num total de 200 pontos base. E a presidente Christine Lagarde já avisou que o crescimento pode não ficar por aqui. Em dezembro pode vir nova subida, embora menos expressiva: a Bloomberg, citando fontes que não identifica, fala em 50 pontos base.

Considerando que o período de taxas de juro negativas "é uma total a normalidade", o presidente da Caixa enfatiza que "a questão é a velocidade a que estão a subir e em que nível vão parar".

Paulo Macedo realça que as taxas de juro atuais ainda estão dentro dos cenários previstos pelo banco na concessão de crédito à habitação: "situam-se naquilo que são ainda as margens", disse, dado que "quando é feito um crédito à habitação, é tida em consideração a taxa de esforço e o rendimento disponível e faz-se uma simulação com mais três pontos percentuais de taxa de juro".

O presidente executivo da CGD confirma que a a instituição financeira "já tem clientes que pedem alongamento de maturidades e outras soluções", garantindo que "obviamente a Caixa estará disponível" para falar com os devedores: a CGD "está a falar com algumas centenas de clientes, como falou durante a pandemia e como fala sempre. O interesse da Caixa é arranjar soluções para os seus clientes", garantiu.

São contactos em dois sentidos, avançou: "A Caixa está a contactar clientes que acha que vão ter dificuldade e está a receber clientes que acham que vão ter dificuldade".
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