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Paz Ferreira: Relatório da EY sobre gestão da CGD é "insuficiente e "descuidado"

Eduardo Paz Ferreira, ex-presidente da comissão de auditoria da CGD, considera que a auditoria da EY incorre em "contradição grave" sobre a atuação dos órgãos de fiscalização.

Lusa
Rita Atalaia ritaatalaia@negocios.pt 03 de Abril de 2019 às 18:35
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Eduardo Paz Ferreira, ex-presidente da comissão de auditoria da Caixa Geral de Depósitos (CGD), considera que o relatório da EY a 16 anos de gestão do banco público tem falhas. E rejeita a "falta de efetividade" do órgão de fiscalização mencionada pela auditora no documento.

"O relatório de auditoria é insuficiente e descuidado", afirma Eduardo Paz Ferreira aos deputados, durante a comissão parlamentar de inquérito à gestão do banco liderado por Paulo Macedo.

Para o ex-presidente da comissão de auditoria da Caixa, a auditoria "não favorece a constituição dos factos, incorrendo em contradição grave sobre a atuação dos órgãos de fiscalização", notando que a comissão fez 49 observações quanto ao sistema de controlo de risco da instituição financeira.

No relatório da EY, a auditora conclui que houve "falta de efetividade da ação do órgão de fiscalização no período". Paz Ferreira lamenta esta conclusão "atirada para o ar, sem datas. Não consigo perceber os objetivos nem razões de ser". Para o ex-presidente da comissão de auditoria a EY "fez duas coisas extremamente incorretas", nomeadamente "não ter falado com ninguém da fiscalização". E, "se queria uma auditoria sólida, devia ter conversado".

E relembra que o conselho fiscal "não tem de apreciar a bondade das operações à luz dos critérios económico-financeiros", sendo o conselho de administração a "principal fonte de fiscalização".

Na mesma audição, o responsável explicou ainda ter pedido à Caixa para consultar os documentos de maneira a "não responder não me lembro, não me recordo ou não estava lá". "Só direi que não me recordo quando for de todo impossível responder com recurso à minha memória ou documentação", notou.

A este pedido, o banco estatal respondeu "parcialmente", dando "um dia e um computador para completar o que estava em falta". Mas "como não tenho vocação informática, é difícil procurar".

Este pedido foi feito depois de Carlos Costa, atual governador do Banco de Portugal, e Vítor Constâncio, antigo governador, terem afirmado nas suas audições "não se lembrarem" de determinadas situações relacionadas com os créditos da CGD. Já o ex-revisor oficial de contas do banco afirmou "não haver falta de memória" no seu caso, uma vez que estava tudo fundamentado nos relatórios trimestrais enviados tanto ao regulador como à tutela.

(Notícia atualizada às 18:49 com mais informação)

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