Banca & Finanças Pimco acusa Portugal de confisco à moda da Venezuela ou Argentina no Novo Banco

Pimco acusa Portugal de confisco à moda da Venezuela ou Argentina no Novo Banco

Após o Financial Times ter escrito que “Portugal fez o correcto” ao reenviar para o BES dívida sénior do Novo Banco, o director-geral da Pimco diz que a medida “abre um precedente perigoso”. Bodereau fala em “populismo” à moda da Venezuela ou da Argentina.
Pimco acusa Portugal de confisco à moda da Venezuela ou Argentina no Novo Banco
Bloomberg
Negócios 12 de janeiro de 2016 às 13:00

Dois dias depois de o Financial Times ter defendido que "Portugal fez o correcto" no caso do Novo Banco, o director-geral da Pimco, o segundo investidor mais afectado pela decisão de reenviar dívida sénior para o BES, escreve um texto no diário britânico em que critica o "populismo" da medida, que diz estar em linha com a actuação de governos da América Latina.

 

"A nova administração portuguesa não é o primeiro Governo a recorrer ao confisco de bens e expediente populista. A Venezuela e a Argentina também pertencem a este clube. A diferença importante é que Portugal é membro da Zona Euro e os seus bancos significativos são regulados pelo Banco Central Europeu", escreve Philippe Bodereau, num texto publicado esta terça-feira, 12 de Janeiro, no FT.

 

Para o responsável da Pimco, sociedade gestora que, de acordo com os dados da Bloomberg, perdeu 228,6 milhões de euros com o regresso ao BES de quase 2.000 milhões de dívida sénior que estava no Novo Banco, esta decisão "abre um precedente preocupante". Isto na medida em que pode considerar "que o confisco arbitrário e injusto de activos de investidores é uma solução aceitável para os desafios que se colocam aos bancos frágeis da periferia da Zona Euro".

 

Aliás, Bodereau diz que é "uma enorme vergonha que cinco anos após a crise da dívida soberana e financeira, a Zona Euro ainda esteja a lidar com crises bancárias de uma forma inconsistente, injusta e amadora".

 

O director-geral da Pimco, que já adiantou ao Expresso que vai contestar judicialmente a deliberação do Banco de Portugal, datada de 29 de Dezembro, desafia ainda o BCE a assumir se apoia a decisão do supervisor português ou a adoptar medidas no caso de se opor a esta medida.

 

"Se o BCE não apoia a medida relativa ao Novo Banco então, como regulador bancário, tem tempo de agir. Caso o BCE apoie a decisão, ou não seja capaz ou não tenha vontade de agir, então, todos os investidores nos mercados europeus devem prestar atenção a este aviso", recomenda Philippe Bodereau.




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