Banca & Finanças Pinto da Costa: "Senti-me vigarizado" por Passos Coelho e Cavaco Silva no caso BES

Pinto da Costa: "Senti-me vigarizado" por Passos Coelho e Cavaco Silva no caso BES

O presidente do FC Porto não escondeu a sua desilusão sobre a forma como o primeiro-ministro e o Presidente da República conduziram o processo BES. Pinto da Costa garante ter sido "vigarizado" quando acreditou nas garantias, relativas à solvabilidade do BES, dadas por Passos Coelho e Cavaco Silva e decidiu comprar acções do banco. "Do BES, eu não espero nada", garante o presidente dos dragões.
Pinto da Costa: "Senti-me vigarizado" por Passos Coelho e Cavaco Silva no caso BES
David Santiago 27 de setembro de 2014 às 22:27

O presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, afirmou esta noite sentir-se "vigarizado" pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e pelo Presidente da República, Cavaco Silva, depois de estes terem assegurado aos portugueses que o BES permanecia um banco sólido.

 

Numa entrevista ao Porto Canal, Pinto da Costa disse nunca ter possuído acções do BES. Isto até ao aumento de capital realizado no passado dia 11 de Junho, que permitiu ao então banco liderado por Ricardo Salgado emitir acções no valor de 1.045 milhões de euros. O líder dos dragões garante que apenas adquiriu acções do BES depois de ouvir as garantias deixadas por Passos Coelho e Cavaco Silva.

 

"Nunca tive, em 50 anos que joguei na bolsa, uma acção do BES. Vi as acções descer e ouvi o primeiro-ministro dizer que o BES era um banco seguro, que tinha uma almofada para pagar o dobro das dívidas que tinha. E quando ouvi o Presidente da República, mais palavra menos palavra, a dizer o mesmo. Eu, que confiava no que eles diziam, pela primeira vez, e como muita gente, fui comprar acções do BES", admitiu Pinto da Costa.

 

É então que o jornalista responsável pela condução desta entrevista televisiva, Júlio Magalhães, perguntou ao líder dos portistas se se sentiu enganado.

 

A resposta de Pinto da Costa foi elucidativa: "Senti-me vigarizado. Não foi enganado, porque foram-me ao bolso", atirou. O líder nortenho insistiu na toada contra os dois responsáveis do Governo e da presidência.

 

"Quando ouço o primeiro-ministro dizer isto e o Presidente da República a reafirmá-lo, eu, como muita gente no seu pleno direito, investiu as suas poupanças em acções do BES. Agora não faço ideia se o Presidente da República e o primeiro-ministro vão indemnizar os que engaram ou não."

 

Se me pergunta se pessoalmente tenho razão de queixa do BES, não tenho. Agora, o que lhe digo, é que fui prejudicado com a falência do BES. Fui, não em números astronómicos mas, para mim, em números significativos.
 
Pinto da Costa

Já depois do aumento de capital e, posteriormente à primeira mudança na administração executiva do BES, ou seja, depois de Vítor Bento assumir a chefia do banco, o Banco de Portugal viria a anunciar naquela noite de domingo que o BES seria dividido em dois: Um banco bom, o Novo Banco, e um banco mau que permanece enquanto BES.

 

Os accionistas do BES ficariam integrados no banco mau, dependentes de eventuais mais-valias que viessem a ser geradas e que serviriam para compensar as perdas resultantes da divisão do BES em dois. Mas Pinto da Costa não se mostra muito esperançoso no que de bom ainda possa vir do chamado banco mau.

 

"Do BES eu não espero nada, porque eu não fui enganado pelo BES", acusou. Sobre a dimensão das perdas que possa ter de assumir depois do investimento realizado na última subscrição de títulos do BES, o presidente portista admite que são significativas.

 

"Se me pergunta se pessoalmente tenho razão de queixa do BES, não tenho. Agora, o que lhe digo, é que fui prejudicado com a falência do BES. Fui, não em números astronómicos mas, para mim, em números significativos."

 

FC Porto mantém boas relações com o Novo Banco

 

Na conversa emitida em directo no canal que também é propriedade dos portistas, Pinto da Costa aproveitou para salvaguardar a manutenção de boas relações com o agora Novo Banco. Isto numa altura em que é debatida a importância da crise do BES na vida dos clubes de futebol, designadamente dos três grandes: Benfica, Sporting e Porto.

 

Apesar de entre os três grandes o Porto ser o clube com menor exposição ao BES, na medida em que o principal parceiro financeiro nacional dos dragões é o BPI, o presidente da SAD portista assegurou que "mantemos a mesma colaboração [com o Novo Banco] e não temos a mínima razão de queixa do relacionamento", acrescentando que "está a ser cumprido de parte a parte tudo o que foi estabelecido".

 

Numa conversa em que Pinto da Costa manteve vivas as suas habituais tiradas irónicas, houve também oportunidade para ressalvar as boas relações mantidas durante o mandato de Salgado.

 

"Nos negócios que tivemos, o BES, o falecido, foi sempre impecável connosco", ironizou. "Favores nunca tivemos, mas tivemos sempre uma relação e um bom entendimento com o Banco Espírito Santo, o tal, o mau. O mau não, o que existia".

 




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