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Plano de reestruturação do BCP prevê corte de 25% nos custos com pessoal

Bruxelas deu a aprovação final ao plano de reestruturação do BCP, que vai desinvestir em actividades “não-core”, como o futebol e o crédito para compra de acções, ficando ainda obrigado a vender as operações na Roménia e a participação no banco grego. O corte de custos com pessoal atinge 25%, mas parte já foi conseguido.

Bruno Simão/Negócios
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 02 de Setembro de 2013 às 08:30
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A Direcção Geral da Concorrência da Comissão Europeia aprovou de forma final o plano de reestruturação do Banco Comercial Português, que passa pela focagem do banco liderado por Nuno Amado nas suas actividades core e por um “emagrecimento” da instituição, com a continuação de encerramento de balcões e diminuição de postos de trabalho.

 

Uma das exigências de Bruxelas passa pela redução de cerca de 25% dos custos com pessoal até ao final e 2015, tendo como ponto de partida o final de 2012. No comunicado enviado à CMVM, o BCP salienta que “parte importante deste esforço [de redução de custos com pessoal] foi já concretizada em 2012 e no primeiro semestre de 2013”.

 

Este plano de reestruturação decorre das ajudas públicas recebidas pela instituição financeira, sendo que dos grandes bancos o BCP era o único que não tinha ainda recebido o “ok” final de Bruxelas. O Banif está ainda em negociações com a autoridade da concorrência europeia, pois foi o último a receber apoio estatal.

 

Uma das linhas gerais imposta por Bruxelas aos bancos portugueses que receberam apoios públicos passa pelo encerramento de balcões e corte de postos de trabalho na actividade em Portugal, o que também se passa no BCP.

 

O banco liderado por Nuno Amado salienta que o plano de reestruturação prevê “a continuação do processo de ajustamento da estrutura do Banco no mercado nacional, nomeadamente através da adequação do número de sucursais e restantes áreas de suporte ao negócio, com destaque para a continuidade de políticas de recursos humanos que ajustem o quadro de pessoal à procura de serviços bancários”.

 

O banco não quantifica os valores concretos dos cortes nos custos com pessoal.

 

No primeiro semestre deste ano, os custos com pessoal do BCP, excluindo reformas antecipadas e indemnizações, baixaram 11,9% para 340,5 milhões de euros. Na actividade em Portugal os custos com pessoal desceram 16,7% para 223,7 milhões de euros.

 

A 30 de Junho o BCP detinha 8.744 trabalhadores em Portugal, menos 11,8% do que no mesmo período do ano anterior. Na actividade internacional o número de colaboradores caiu 3% para 10.048. Já o número de balcões em Portugal desceu 7,5% para 797.

 

No ano de 2012, os custos totais com o pessoal cifraram-se em 815 milhões de euros, uma redução de 14,5% face ao valor de 2011. Tendo em conta apenas a actividade em Portugal, os custos com pessoal no ano passado desceram 20,9% para 523,3 milhões de euros. Caso seja esta a rubrica a cortar em 25%, o BCP terá que chegar a 2015 com custos com pessoal na ordem dos 392 milhões de euros, uma redução de cerca de 130 milhões de euros.

 

No final de 2012 o BCP tinha 8.982 colaboradores em Portugal, menos 9,8% do que em 2011, e o número de sucursais desceu em 5,2%.

 

Desinvestimento nos empréstimos mais arriscados

 

O plano de reestruturação do BCP prevê ainda outras medidas, destacando-se o “enfoque estratégico da actividade através da separação entre activos considerados core e não core”.

 

Deste modo, o BCP vai desinvestir em várias das actividades que mais imparidades provocaram nos últimos trimestres nas contas do banco, tais como empréstimos para compra de títulos, crédito fortemente alavancado, crédito à habitação bonificado histórico e crédito a certos segmentos associados a construção, clubes de futebol e promoção imobiliária.

 

Em contrapartida o BCP vai apostar no “reforço do financiamento à economia com o cumprimento pleno das exigências regulatórias dos níveis de capital”, tendo ainda que efectuar uma “desalavancagem do balanço”, com o desinvestimento de activos não core e com a definição de um rácio de empréstimos sobre depósitos de 120% a partir de 2015.

 

O banco terá ainda que atingir um retorno dos capitais próprios (ROE) mínimo de 10% e um rácio de custos sobre proveitos máximo de 50% a partir de 2016.

 

BCP permanece na Polónia e sai da Roménia

 

Ainda no âmbito deste plano de restruturação, o BCP fica obrigado a alterar o seu portfolio internacional, sendo que consegue manter a presença na Polónia, que chegou a estar ameaçada.

 

O BCP comprometeu-se a efectuar a alienação a médio prazo da operação que detém na Roménia, assim como a alienação da participação no banco Piraeus, resultante da venda do Millennium Bank Grécia.

 

Os outros activos internacionais foram considerados “core”, embora na presença na Polónia não seja ainda um dado adquirido após 2016. Para continuar com o Bank Millennium, o BCP terá que ter menos de 700 milhões de euros em “CoCos” a reembolsar ao Estado em Dezembro de 2016.

 

Já as operações estratégicas em Angola e Moçambique saem reforçadas no âmbito deste plano de reestruturação.

 

Nuno Amado, CEO do Banco, acredita que “foi alcançado o melhor acordo possível para todas as partes envolvidas, permitindo ao Banco manter os seus activos core e continuar a desenvolver a actividade comercial nas principais linhas de negócio, com menor risco de execução”.

 

“A partir deste momento, o grupo BCP tem a sua geometria de actuação bem definida, cabendo implementá-la com rigor e determinação, o que estou convicto será alcançado dada a qualidade e o empenho dos colaboradores do Millennium bcp”, conclui.

 

As acções do BCP sobem 2,08% para 0,098 euros.

 

(notícia actualizada pela última vez às 9h20, com mais informação)

 

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