Banca & Finanças Portugal foi dos países onde o impacto na dívida pública das ajudas à banca foi maior

Portugal foi dos países onde o impacto na dívida pública das ajudas à banca foi maior

Um estudo do BCE, que analisou as ajudas ao sistema financeiro de 2008 a 2014, concluiu que Portugal foi dos países em que estes auxílios tiveram maior impacto na dívida. E também dos que tem uma taxa de recuperação menor.
Portugal foi dos países onde o impacto na dívida pública das ajudas à banca foi maior
Andrew Harrer/Bloomberg
Alexandra Machado 16 de setembro de 2015 às 20:13
O impacto das ajudas ao sistema financeiro entre 2008 e 2014 na dívida pública portuguesa foi de 11%, ficando Portugal assim como um dos países onde esse efeito foi maior.

Irlanda, Grécia, Chipre e Eslovénia foram os únicos que tiveram maior impacto do que Portugal. O efeito foi, nesses países, perto dos 20%. No grupo dos países onde o impacto rondou os 10% estão, além de Portugal, a Áustria e a Alemanha. As conclusões foram reveladas esta quarta-feira, 16 de Setembro, num estudo realizado pelo BCE, onde se diz que o impacto português se deve "principalmente a intervenções recentes".

Pelo contrário, a dívida pública em Itália e França foi muito pouco afectada com estas ajudas.

No conjunto da Zona Euro as ajudas agravaram a dívida em 4,8% do PIB, o que levou a que as dívidas públicas aumentassem 27 pontos percentuais, colocando-as em 92% do PIB. O impacto nos défices foi de 1,8% do PIB. Neste caso, em Portugal, o impacto no défice foi de 2,9%, tendo sido de 24,1% na Irlanda e de 12,5% na Grécia. 

Segundo o BCE, estas ajudas explicam apenas uma pequena parte do agravamento das dívidas públicas desde o início da crise, apesar do impacto significativo em alguns dos países, como referido.

"Comparativamente com outras crises financeiras anteriores em economias avançadas, a deterioração das finanças públicas na Zona Euro foi pior, apesar de um valor de ajudas semelhante", lê-se no estudo. 

Por outro lado, as taxas de recuperação, que representam a parte dos activos que os Estados conseguiram libertar-se, estão a níveis relativamente baixos. Dos 8% do PIB de ajudas ao sector financeiros (em termos acumulados brutos), no valor de 800 mil milhões de euros, apenas 3,3% do PIB foi recuperado. O que significa uma taxa de recuperação de pouco mais de 40% do custo orçamentar total. Por exemplo, a Suécia conseguiu recuperar quase 95% cinco anos depois da crise de 1991. "As taxas de recuperação são relativamente baixar na Irlanda, Chipre e Portugal, sendo relativamente altas nos Países Baixos".

Portugal teve disponível uma linha para recapitalização da banca de 12 mil milhões de euros, que estavam incluídos no empréstimo concedido ao país pela troika. Cinco bancos utilizaram a linha, recebendo 10.150 milhões de apoios públicos. Cerca de 40% deste montante já foi devolvido. Uma das instituições, o BPI, já reembolsou a totalidade da ajuda estatal, enquanto a CGD ainda não iniciou a devolução do apoio público, o que aliás, já levou o primeiro-ministro Passos Coelho a mostrar-se preocupado.



pub

Marketing Automation certified by E-GOI