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Presidente do Crédito Agrícola: Decisão de taxar depósitos em Chipre "descredibiliza o sistema financeiro"

O presidente do Crédito Agrícola considera que a hipótese de taxar depósitos em Chipre contribui para "descredibilizar o sistema financeiro" quando a Europa tomou medidas em sentido oposto e que o banco recebeu alguns clientes com receios sobre as suas poupanças.

Sofia Henriques
Lusa 25 de Março de 2013 às 17:22
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"Estas medidas descredibilizam o sistema financeiro e os bancos, que já têm uma opinião pública pouco favorável. E quando os bancos não têm culpa nenhuma, esta foi uma medida política", disse hoje à Lusa Licínio Pina, presidente da Caixa Central do Crédito Agrícola.

Segundo o responsável, apesar de Chipre ter uma situação específica, devido à elevada dimensão do seu sistema financeiro face ao Produto Interno Bruto (PIB) e de ser mesmo qualificado por alguns como paraíso fiscal, esta decisão não é mais "do que subverter património" aos clientes bancários e tem o risco de "ser perigosa" ao ter risco de "contágio na zona euro".

 

Isto, sublinhou, sobretudo quando a ideia inicial era taxar também os depósitos abaixo de 100 mil euros, que estão seguros pela cobertura dos fundos de garantia.

 

Além disso, acrescentou o presidente o novo presidente Crédito Agrícola, que tomou posse já este ano, esta decisão contraria as medidas que a Europa andou a tomar durante esta crise com o objectivo de garantir aos clientes bancários a estabilidade do sistema financeiro.

 

"Estão-se a capitalizar os bancos para garantir que os depósitos que confiaram podem ser resgatados a qualquer momento e isto colocou tudo em causa. Foi uma medida pouco pensada sobretudo nos montantes garantidos pelos sistemas de garantia de depósitos", afirmou.

 

Em Portugal, Licínio Pina disse que "alguns, poucos" clientes do Crédito Agrícola se dirigiram aos balcões do banco cooperativo para esclarecer sobre se as suas poupanças estavam em risco, mas garantiu que não houve fuga de depósitos.

 

"Não houve nenhuns indícios de corrida aos depósitos, mas as pessoas ficaram preocupadas ao verem aquele movimento em Chipre. Apesar de ser um país pequeno, é da zona euro e tem a mesma moeda, pelo que as pessoas têm receio de que aconteça o mesmo em Portugal", considerou.

 

A crise de Chipre foi desencadeada depois de, no âmbito das negociações de um resgate ao país de 10 mil milhões de euros, o Eurogrupo e o país terem acordado uma taxa sobre todos os depósitos bancários como contrapartida da ajuda financeira.

 

Depois do "não" do parlamento cipriota a esta taxa sobre os depósitos e da indignação que provocou da ilha do Mediterrâneo, o Chipre tenta encontrar uma solução que o faça aceder ao resgate financeiro.

 

Hoje, o porta-voz do Governo de Chipre, Christos Stylianides, disse que o país chegou hoje a acordo com os credores internacionais e que depósitos bancários do Banco de Chipre, o primeiro banco do país, superiores a 100 mil euros sofrerão uma perda de "cerca de 30%".

 

Além disso, o segundo maior banco do país, o Laiki Bank (Popular Bank em inglês), abrirá falência de forma ordenada e será dividido entre um 'bad bank', entidade residual que desaparecerá progressivamente, e um 'good bank', onde serão agrupados os depósitos inferiores a 100 mil euros, que beneficiam de uma garantia pública na União europeia (UE).

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