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Presidente do Millennium BCP prevê mudanças no sector financeiro português

O presidente da comissão executiva do Millennium BCP, Nuno Amado, afirmou esta quinta-feira, no Funchal, que o sector financeiro em Portugal vai mudar nos próximos tempos na sequência da "estratégia de concentração" de bancos da União Europeia.

Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 19 de Maio de 2016 às 22:48
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"É provável que em Portugal passe a existir, a curto prazo, um banco público - a Caixa Geral de Depósitos - e um banco privado, que eu espero que seja o BCP", disse Nuno Amado, no encerramento das Jornadas Millennium Empresas, que decorreram esta tarde na capital madeirense.

 

O presidente da comissão executiva do BCP realçou que é fundamental haver bons bancos portugueses, considerando que um público e um privado é o "mínimo essencial" para o desenvolvimento do país.

 

"O BCE (Banco Central Europeu) tem uma estratégia de concentração, e como as coisas estão a ir é provável que o do sector financeiro em Portugal vá mudar nos próximos tempos", disse, vincando que "o BCP acha, crê e acredita que vai ser o banco privado português dentro desta nova geometria".

 

Nuno Amado lembrou, no entanto, que o Millennium BCP teve prejuízos e foi forçado a "limpar a casa", tendo recebido um apoio de 3.000 milhões de euros do Estado e outro de igual valor dos accionistas. "Já pagamos ao Estado 700 milhões de euros e falta-nos pagar 750 milhões de euros de juros", declarou.

 

O responsável disse ainda que, apesar deste "desafio caro e difícil", o banco fez um caminho que outros não trilharam e por isso desapareceram.

 

Por outro lado, chamou a atenção para a situação do Novo Banco, que considera ser um "elefante na sala", ao qual é preciso estar atento. "O Novo Banco fez muito mal a muita gente e à economia, mas pode fazer muito mal a mais gente que não teve nada que ver com o tema", disse.

 

As Jornadas Millennium Empresas contaram, também, com a presença do presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, que, na sessão de abertura, afirmou que a região autónoma pode ser uma "parceira fundamental" do banco na internacionalização da economia portuguesa.

 

"Neste momento, a Madeira dá cartas a nível nacional em termos de finanças públicas e devido à credibilidade adquirida durante a execução do PAEF [Plano de Ajustamento Económico e Financeiro, que terminou em 2015], foi ao mercado sem tutela e aval do Estado e financiou-se autonomamente no valor de 185 milhões de euros", disse.

 

Miguel Albuquerque salientou as potencialidades da região ao nível do turismo, do Centro Internacional de Negócios, do mar e das empresas de tecnologias digitais. "Temos de enfrentar a realidade e a realidade é muito simples: ou conseguimos inserir-nos plenamente no mercado global ou então vamos continuar com o 'cramanço'", afirmou, explicando que 'cramanço' é um termo madeirense que significa um "lamento perpétuo e eterno que não leva a lado nenhum".

 

O presidente do governo disse, no entanto, que é necessário criar ao nível do Estado uma plataforma de apoio à exportação de produtos regionais, lembrando que a Madeira, que tanto foi "vilipendiada" devido às finanças públicas, tem hoje um rácio de dívida pública de 111.9 do PIB, ao passo que o país continua nos 130.

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