Banca & Finanças Presidente do PS diz que portugueses têm "falta de confiança" no Banco de Portugal

Presidente do PS diz que portugueses têm "falta de confiança" no Banco de Portugal

Carlos César, em Lisboa, juntou-se a António Costa, em Bruxelas, para atacar a actuação do Banco de Portugal. O presidente do PS fala em agravamento da "fragilidade" do regulador do sector financeiro.
Presidente do PS diz que portugueses têm "falta de confiança" no Banco de Portugal
Correio da Manhã
Negócios com Lusa 18 de fevereiro de 2016 às 13:45

O líder parlamentar do PS, Carlos César, defendeu esta quinta-feira mudanças no Banco de Portugal, considerando que os depositantes e utilizadores do sistema financeiro têm de recuperar a confiança e que a imagem do regulador é de crescente fragilidade.

 

Estas posições foram assumidas em declarações aos jornalistas por Carlos César, também presidente dos socialistas, depois de questionado se o PS entende que o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, deve sair das suas funções.

 

"Há uma realidade que os portugueses vivem de alguma falta de confiança, ou pelo menos de uma avaliação frágil, quer dos depositantes, quer dos utilizadores do sistema bancário, em relação ao regulador, o Banco de Portugal", sustentou o presidente da bancada socialista.

 

De acordo com Carlos César, "a fragilidade detectada na actuação do Banco de Portugal não tem sido minorada, tendo pelo contrário sido agravada".

 

"Seguimos sempre com alguma preocupação a acção do Banco de Portugal e, em particular, o caso dos lesados do BES (Banco Espírito Santo), em relação ao qual há uma lentidão excessiva na tomada das decisões necessárias para que esse processo tenha o andamento adequado", referiu o presidente do PS, a título de exemplo.

As palavras do líder parlamentar ocorreram na mesma manhã em que, em Bruxelas, o secretário-geral do partido e primeiro-ministro voltou a apontar baterias contra Carlos Costa. Isto depois de o primeiro-ministro ter já ontem questionado a actuação da administração do Banco de Portugal no caso do papel comercial. O antigo líder do Governo português, Passos Coelho, já disse que o conflito é "grave". 

cotacao A fragilidade detectada na actuação do Banco de Portugal não tem sido minorada, tendo pelo contrário sido agravada. Carlos César Presidente e líder parlamentar do PS


As propostas do PS para o regulador

 

Para o líder da bancada do PS, em termos mais imediatos, será importante que o Banco de Portugal "seja mais regenerado e que recupere os níveis de confiança que os depositantes e utilizadores do sistema bancário requerem".

 

"Estou convencido que alterações muito radicais no Banco de Portugal, numa fase em que existem fragilidades múltiplas nos planos interno e externo, não são prioridade. Mas é prioridade uma mudança de pró-actividade e um melhor desempenho ao nível da precaução por parte do Banco de Portugal, tendo em vista que o sistema financeiro português recupere a sua credibilidade e o equilíbrio que necessita", contrapôs o ex-presidente do Governo Regional dos Açores.

 

Interrogado se o PS defende claramente que o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, deve abandonar as suas funções a curto prazo, Carlos César fez uma pausa por alguns segundos e respondeu: "Não devem existir perturbações excessivas no Banco de Portugal que agravem as fragilidades que hoje já conhecemos no sistema financeiro e na confiança interna e externa, quer no regulador, que nos bancos em geral".

 

Ou seja, segundo Carlos César, no plano imediato, "o melhor seria que o Banco de Portugal resolvesse os problemas que tem pendentes e que não está a resolver" e, por outro lado, "que recuperasse a confiança por parte dos depositantes e dos utilizadores do sistema bancário, de forma a que o país viva com maior tranquilidade".

 

Banca prejudica imagem do país

 

O presidente do Grupo Parlamentar do PS defendeu mesmo que o sector financeiro está "a penalizar muito a imagem externa do país e está a comprometer muito a confiança dos cidadãos e das empresas".

 

Este sector, acrescentou Carlos César, "onera especialmente a execução orçamental para o próximo ano e neste ano corrente".




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