Banca & Finanças Produtora portuguesa de filmes porno que foge da insolvência deve 1 milhão ao BCP

Produtora portuguesa de filmes porno que foge da insolvência deve 1 milhão ao BCP

O BCP é o principal credor da Filmes Hotgold, que está a tentar evitar a insolvência. O Estado é o segundo maior, já que a produtora deve 321 mil euros às Finanças. Aliás, foi a exigência do Fisco que levou ao pedido de recuperação.
Produtora portuguesa de filmes porno que foge da insolvência deve 1 milhão ao BCP
Reuters
Diogo Cavaleiro 17 de junho de 2016 às 16:29

O Banco Comercial Português tem a receber mais de 1 milhão de euros da produtora portuguesa de filmes pornográficos, a Hotgold. O banco sob o comando de Nuno Amado representa 40% da dívida total da empresa, que ascende a 2,5 milhões, e que está neste momento em recuperação judicial. 

 

O BCP é o único banco na lista de créditos elaborada pelo administrador judicial José Augusto Gonçalves, que é o responsável pelo Processo Especial de Revitalização da Filmes Hotgold. São cinco diferentes créditos os que estão reconhecidos na lista, sendo que nenhum tem garantias anexadas neste momento, ainda que, ao que o Negócios apurou, haja imóveis que possam servir para cobrir eventuais créditos não pagos.

 

Há dois financiamentos do BCP à Hotgold, no valor de 626 mil euros, que correspondem a um contrato de locação financeira imobiliária e que dizem respeito a "rendas vincendas". Os dois créditos são reconhecidos sob condição suspensiva, tendo em conta que a suspensão "depende do cumprimento do contrato por parte da empresa". 

 

Uma outra linha que liga o banco privado à Hotgold é um contrato de "cessão continuada de créditos", que diz "respeito aos adiamentos efectuados pelo BCP por conta dos créditos cedidos". Também aqui os 254 mil euros poderão ser suspensos, já que dependem "dos pagamentos que vierem a ser efectuados pelos clientes da empresa".

 

Um outro crédito insere-se num empréstimo feito com base na linha de crédito PME Crescimento 2013 em que o BCP reclama 140,6 mil euros. A quinta linha de empréstimo corresponde a um cartão de crédito com um saldo por pagar de 3,7 mil euros.

 

Não foi possível, ainda, obter uma reacção do BCP, que não se pronuncia sobre este tipo de processos.

 

Fisco com 323 mil euros por receber

 

O Estado é o segundo maior credor da produtora cinematográfica por conta do Fisco. Aliás, segundo o Correio da Manhã, foi mesmo a Autoridade Tributária que acabou por empurrar a Hotgold para o PER. São 321 mil euros de dívida, em que 314 mil correspondem a IVA e IRC por saldar. Os restantes 7 mil fazem parte de custas.

Apesar do PER, o director do canal, João Costa, disse em Maio ao Correio da Manhã que a empresa, dona do canal Hot TV, não tem problemas específicos quer até expandir-se internacionalmente. O PER foi solicitado porque o Fisco não aceitava um plano de prestações para regularização dos impostos em atraso – tal só era possível sob o mecanismo do PER.

 

Entre os outros credores da Hotgold incluem-se empresas a quem não foram pagos direitos de transmissão televisiva (Brasileirinhas Distribuição de Filmes e Penthouse Digital Media) e a antigos trabalhadores, que têm remunerações em atraso.

O PER é um instrumento utilizado pelas empresas para evitar a insolvência. No âmbito deste processo, os principais credores negoceiam um plano para permitir que a empresa continue a laborar e em cumprimento das suas obrigações.




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