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PS aberto a debater nacionalização do Novo Banco (act.)

O deputado socialista João Galamba defende que nacionalizar o banco seria abdicar do impacto positivo que uma venda teria na dívida pública e no défice. E quer mais "argumentos" dos comunistas.

João Galamba. Pasta provável: Sem sector atribuído
Vítor Mota/Correio da Manhã
Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 24 de Fevereiro de 2016 às 12:09
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O Partido Socialista (PS) quer aproveitar o ano de folga" concedido ao processo de venda do Novo Banco para debater todas as soluções possíveis para a instituição, mas pede "argumentos" de quem defende a sua nacionalização.


"O que o país tem de fazer nesta folga que temos para resolver o Novo Banco é ter um debate com argumentos. Dizer apenas que deve ficar na esfera pública por já se ter gasto dinheiro dos contribuintes, não é argumento", considerou esta quarta-feira, 24 de Fevereiro, o vice-presidente da bancada parlamentar do PS, João Galamba, no Fórum TSF.


O deputado reagia assim ao projecto de resolução apresentado esta terça-feira pelo Partido Comunista (PCP) no Parlamento, que defende a passagem do Novo Banco para a esfera pública.


O PS continua a preferir o cenário de venda do banco – que está em cima da mesa desde a resolução do BES em Agosto de 2014 –, porque permitiria aos contribuintes recuperar parte do dinheiro emprestado ao Fundo de Resolução (3,9 mil milhões de euros) com um impacto positivo do défice e na dívida pública.


"Se não houver uma oferta razoável, se calhar o melhor é mesmo o banco ficar na esfera pública. Não podemos é partir do princípio de ser melhor uma ou outra solução só porque sim", afirma. "Pode ser vendido ao Estado. Mas se fosse assim, deixaria de receber um montante que pudesse ter efeito na dívida e défice", acrescenta.


João Galamba defende ainda que não se justifica pedir um resgate internacional para resolver a situação no sector financeiro, considerando que o anterior Governo perdeu uma oportunidade para o fazer, já que poderia ter recorrido à tranche concedida para esse fim no âmbito do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro.


"[Estavam disponíveis] 12 mil milhões de euros durante quatro anos e com condições favoráveis. Outros países utilizaram para esse fim e nós não, essa foi uma das partes que claramente falhou. Perdemos uma oportunidade para fazer algo bem feito. Pedir um resgate para a banca agora não me parece que se justifique nem que seja necessário", afirmou.

"Ter dois bancos públicos não seria propriamente a escolha do PS"

Mais tarde, no Parlamento, João Galamba repetiu os mesmos argumentos, frisando que "a ideia do PS é vender o Novo Banco como está previsto" e assumindo essa "divergência" com o PCP.

"O Estado já tem um banco público, ter dois não seria propriamente a escolha do PS", afirmou, defendendo uma solução para o Novo Banco que "faça sentido para os contribuintes e para a estabilidade do sector financeiro".

A quem defende a nacionalização, pediu que se abandonasse os "chavões" e diga concretamente como é que essa solução pode ser feita, com que modelo de negócio, com que capacidade financeira do accionista Estado.

"No cenário hipotético de não haver ninguém para ficar com ele, o Novo Banco fica na esfera do Estado", disse no entanto.

(notícia actualizada às 13:32 com declarações adicionais de João Galamba)

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