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PwC quis deixar de ser auditora do BES porque Salgado tinha demasiada força

A dificuldade em aceder a informação, a excessiva centralização em Ricardo Salgado e a falta de contas consolidadas no grupo justificaram o fim da ligação entre PwC e BES em 2002, revelou o presidente da auditora.

Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 20 de Janeiro de 2015 às 16:33
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A auditoria feita pela PricewaterhouseCoopers (PwC) em 2002 às contas do BES determinou o fim da relação próxima entre o banco e a auditora. Uma das razões era o facto de a PwC sentir-se desconfortável com o peso de Ricardo Salgado enquanto presidente executivo mas também com presença no campo financeiro e contabilístico.

 

"O facto do Dr. Ricardo Salgado desempenhar em conjunto três papéis relevantes, a saber, CEO, responsável financeiro e responsável pela contabilidade, deixava-nos crescentemente desconfortáveis, pelo que entendemos que existiam riscos adicionais relacionados com esta realidade", disse José Alves, presidente da PwC, na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES.

 

Este foi um dos factores que levou a que a auditora decidisse rescindir com o BES, logo após um trabalho de auditoria, em relação às contas de 2001, que levantaram dúvidas sobre a relação do banco com "off-shores" que eram accionistas do próprio BES mas também da PT e da PT Multimédia (antiga Zon). Houve mais dois, que levaram a que José Alves tenha dito, esta terça-feira 20 de Janeiro, que havia um "clima de tensão".

 

Havia "alguma dificuldade na obtenção de informação dentro da estrutura do próprio BES". Um dos motivos era o facto de os pedidos serem reencaminhados para Ricardo Salgado. O poder excessivo do presidente executivo do BES foi já referido por várias pessoas que estiveram na comissão parlamentar de inquérito.

 

A PwC também optou por deixar de ter ligação ao BES em 2002, que auditava há dez anos, porque não havia contas auditadas nas empresas de topo do grupo, sendo que o BES concedia-lhes crédito, o que dificultava a avaliação a fazer ao banco.

 

A auditora passou a pasta à KPMG e, aos auditores, José Alves garantiu que foi explicado que a saída, por "mútuo acordo", se deveu também ao "elevado clima de tensão criado na relação, decorrente das dificuldades na obtenção de prova de auditoria". 

 

O presidente da auditora garantiu, aos deputados, que as dúvidas que a PwC teve no seu trabalho de 2002 foram transmitidas à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e ao  Banco de Portugal. 

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