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Queiroz Pereira sentia que "coisas não corriam bem" no GES desde 2001

"Os bancos eram donos de tudo". A força do sector financeiro colocou um travão a denúncias que Queiroz Pereira pudesse fazer sobre questões do GES que levantavam algumas dúvidas ao próprio.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 10 de Dezembro de 2014 às 17:05
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O dono da Portucel só denunciou problemas no Grupo Espírito Santo em 2013, mais de uma década depois de ter sentido que existiam. Não os indicou antes ao Banco de Portugal porque, em Portugal, "não é possível sobreviver sem bancos". E o GES controlava o Banco Espírito Santo.

 

"Quando entrámos neste século, já sentia que as coisas não corriam bem", disse Queiroz Pereira à deputada Cecília Meireles na audição de 10 de Dezembro da comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES.

 

Até 2008, Queiroz Pereira foi vendo que o Grupo Espírito Santo tinha crescido em busca de dinheiro junto de "pequenos accionistas" e com "operações de natureza financeira" que considerou "muito imaginativas".


"Em 2008, vem a crise mundial, apanha o grupo numa situação já de grande stress financeiro. Diria que aqui é que começam as dificuldades insuperáveis", relatou o empresário que, até 2013, teve uma participação na Espírito Santo Control, sociedade que reunia as posições accionistas de todos os ramos da família Espírito Santo.

 

Nessa altura, "havia uma dívida grande", havia "negócios a morrer", "que se foi resolver com cada vez mais imaginação", disse, adiantando que não tem pormenores. "Por ventura, mais à frente, em 2011, 2012 e 2013, com excessiva imaginação".

 

"A gente não podia viver sem bancos"

 

Porque não as denunciou então? "Tinha este dilema, também tinha a responsabilidade de grupo económico, de razoável dimensão". O dilema é o facto de não ser possível, em Portugal, "sobreviver sem bancos". "Não me podia dar ao luxo".

 

"Os bancos estavam com um poder tal neste país, que a gente não podia viver contra ele", confidenciou aos deputados no inquérito parlamentar. "Os bancos eram donos de tudo. Não era só a PT, era a EDP... Tinha posições de 2%, 3% e mandavam".

 

Em 2013, a situação inverteu-se quando Queiroz Pereira se apercebeu de que havia operações através das quais o GES estava a reforçar a posição em sociedades que controlavam a sua Semapa, dona da Portucel. "Achei que defendia melhor o grupo a que presido se mantivesse a maioria controlada". É por isso que decide ir ao Banco de Portugal e denunciar problemas na Espírito Santo International, empresa que controlava o ramo financeiro mas também a área não financeira. 

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