Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Regulador prepara mudança de gestão da Açoreana antes da compra pela Tranquilidade

A entrada da Tranquilidade, detida pela Apollo, vai permitir capitalizar a Açoreana, que tinha, no final do ano passado, um capital próprio negativo de 6 milhões de euros.

A seguradora comprada pela Apollo em 2015 tem à venda vários imóveis por 140 milhões de euros, avançou a Bloomberg na semana passada. A Tranquilidade, que pertencia ao Grupo Espírito Santo, está a avaliar a alienação devido às novas exigências da regulação. Segundo a agência de informação, os imóveis à venda da seguradora estão avaliados em 140 milhões de euros.
Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 01 de Agosto de 2016 às 13:12
  • Assine já 1€/1 mês
  • 1
  • ...

O regulador dos seguros já aprovou a mudança de gestão da Açoreana. A alteração, que prevê a entrada dos administradores da Tranquilidade, efectiva-se logo após a concretização da aquisição por parte da seguradora da Apollo. Segundo chegou a ser noticiado, a operação tinha de avançar até 31 de Julho mas esta segunda-feira, 1 de Agosto, ainda não foi possível confirmar se a mesma já se realizou.

 

Foi na reunião de 21 de Julho que a administração da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) decidiu "autorizar o exercício transitório de funções" de novos órgãos sociais da Açoreana Seguro, para "produzir efeitos após a aquisição do controlo pela companhia".

 

Certo é que já há autorização para que Jan Adriaan de Pooter passe a presidente da administração da Açoreana, como já o é da Tranquilidade. Ao seu lado estarão Augusto Pedroso, Nuno Diniz Clemente e Pedro Carvalho, também eles vogais da administração da seguradora que pertenceu ao Grupo Espírito Santo. O conselho fiscal que tem autorização para tomar posse também é o mesmo da Tranquilidade: Luís Palha da Silva como presidente. Entretanto, o presidente executivo da Açoreana até aqui, José Gomes, saiu em direcção à Ageas Seguros, a antiga Axa. 

 

Quando é que acontecerá a tomada de controlo da Tranquilidade (que já teve o aval da ASF e da Comissão Europeia) ainda não se sabe mas a autoridade presidida por José Almaça já deliberou, em 27 de Junho, que não se opunha à aquisição de todo o capital social da Açoreana por parte da Tranquilidade, detida pelos americanos da Apollo. Segundo chegou a ser noticiado, a concretização da compra e venda tinha de ocorrer até 31 de Julho.

 

Esta segunda-feira, 1 de Agosto, nem a ASF nem a Tranquilidade fizeram comentários.

 

Silêncio em torno da operação

 

A operação tem estado envolta em silêncio. O Negócios já questionou, por diversas vezes, a ASF, o Ministério das Finanças e a Tranquilidade sobre os valores da operação mas nunca obteve resposta - mesmo apesar de 48% do capital da Açoreana estar na Oitante, que pertence ao Fundo de Resolução, que entra para as contas públicas. O Económico noticiou, há duas semanas, que a compra seria por 130 milhões.

 

A Açoreana estava numa situação de não cumprimento dos rácios no final do ano passado, muito por conta da aplicação da medida de resolução ao Banif. A seguradora, que empregava 700 funcionários, registava um capital próprio negativo de 6 milhões de euros no final do ano, depois de ter registado prejuízos de 150 milhões de euros nesse período.

 

Até à data, a Açoreana tem como accionista maioritária a Soil SGPS, da família Roque, com 52%, sendo que o restante, 48% do capital, está nas mãos da Oitante (eram do Banif mas foram para aí transferidas a 20 de Dezembro). Segundo o relatório de insolvência da Rentipar, empresa também do grupo de herdeiros de Horácio Roque, os proveitos da operação por parte da Soil serão usados para pagar dívidas para com a Caixa Geral de Depósitos e o Santander, como noticiou o Negócios.

Ver comentários
Saber mais Apollo Tranquilidade Açoreana
Mais lidas
Outras Notícias