Banca & Finanças Regulador procura rasto do dinheiro de empresa que enganou britânicos em Portugal

Regulador procura rasto do dinheiro de empresa que enganou britânicos em Portugal

A Premier FX, em liquidação desde agosto do ano passado, terá enganado muitos clientes britânicos a viverem em Portugal e Espanha. O regulador do mercado de capitais no Reino Unido já passou a pente fino 250.000 transações.
Regulador procura rasto do dinheiro de empresa que enganou britânicos em Portugal
Negócios 29 de janeiro de 2019 às 20:23

A Financial Conduct Authority (FCA), autoridade reguladora britânica do mercado de capitais, já escrutinou 250.000 transações da Premier FX – empresa de transferência de dinheiro cujos clientes eram britânicos, muitos deles a viver em Portugal e Espanha, e que fechou portas em julho passado após a morte do seu fundador, deixando os seus clientes sem acesso ao dinheiro que julgavam seguro.

 

A FCA, que pediu à justiça britânica para decretar a empresa insolvente, situação que foi efetivada em agosto, tem estado a tentar encontrar o rasto do dinheiro dos clientes britânicos da Premier FX, tendo já vistoriado 250.000 transações, sublinham o Financial Times e a Reuters, citando as declarações desta terça-feira do presidente executivo da entidade reguladora, Andrew Bailey, perante a Comissão parlamentar do Tesouro no Reino Unido.

 

A Premier FX foi criada em 2006 por Peter Rexstrew e incentivava os clientes britânicos – tanto os que viviam no Reino Unido como os que se tinham mudado para Portugal (Algarve) e Espanha (Palma de Maiorca) – a depositarem largas quantias de dinheiro através da empresa, oferecendo taxas de câmbio melhores do que as da banca e ajudando-os assim a comprarem casas de férias.

 

Acontece que a Premier FX – com escritórios em Almancil (Loulé) – não dispunha, ao contrário do que dizia, das devidas licenças regulatórias para manter o dinheiro dos clientes – pelo que os valores depositados não estão protegidos pelo fundo de compensação britânico (Financial Services Compensation Scheme).

 

Rexstrew foi operado ao coração em junho, mas morreu devido a complicações. Os seus filhos, Katy e Charles, ficaram responsáveis pela empresa, mas depressa perceberam que não havia fundos e decidiram encerrá-la a 27 de julho.

 

"Estou muito preocupado, pois receio que o dinheiro de particulares se tenha perdido nesta atividade", comentou Andrew Bailey perante a Comissão parlamentar do Tesouro.

 

Não há dados sobre o número de pessoas que subitamente se viram sem as suas poupanças, mas a Visão refere que a empresa tinha 66 contas em várias denominações junto do Barclays Bank, em Londres, cada uma delas com 50 a 100 transações por dia.

 

Os clientes da Premier FX julgavam que o seu dinheiro era depositado em contas individuais, separadas da empresa, mas não foi isso que aconteceu. E a 8 de agosto o Barclays recebeu ordem formal de congelamento das contas, refere a mesma revista.

 

No início de setembro, já depois de a Premier FX ter entrado em insolvência por determinação das autoridades britânicas, fonte da Procuradoria-Geral da República disse à Visão ter recebido uma denúncia relacionada com o caso, pelo que o Ministério Público português decidiu também investigar a situação.




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