Banca & Finanças Responsáveis da TVI só admitem erro nas perdas de depósitos no Banif

Responsáveis da TVI só admitem erro nas perdas de depósitos no Banif

Fecho queria dizer resolução. A hipótese de integração do Banif na CGD era verdadeira mas estava desactualizada. "Para mim, aquela notícia era verdadeira", considera o jornalista António Costa.
Responsáveis da TVI só admitem erro nas perdas de depósitos no Banif
Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro 24 de maio de 2016 às 12:05

"Hoje, olhando para trás, continuo a entender que a notícia é verdadeira, no essencial". Tal como o director de informação da TVI Sérgio Figueiredo, também o jornalista António Costa, comentador do canal de Queluz de Baixo, acredita na veracidade dos rodapés da notícia transmitida por aquela estação de televisão sobre o Banif a 13 de Dezembro de 2015, a uma semana da resolução do banco.

 

A declaração foi dada por António Costa (ex-director do Diário Económico) na audição desta terça-feira, 24 de Maio, na comissão de inquérito ao Banif. O jornalista foi convocado pelos deputados por ter comentado, na TVI24, a notícia que a TVI estava a avançar sobre o fecho e resolução do Banif, informação a que as autoridades atribuem a fuga de 960 milhões de euros em depósitos na semana seguinte.

 

Houve uma informação, "de facto, errada": a ideia de que, na intervenção a ser preparada para a instituição financeira, os depositantes com mais de 100 mil euros seriam penalizados. "A questão dos depósitos era uma informação objectivamente errada que não devia ter sido transmitida", assumiu António Costa. Sérgio Figueiredo, na audição de quarta-feira passada, falou no mesmo sentido, acrescentando que houve uma interpretação mal feita por parte dos jornalistas que estavam a trabalhar na informação.


Informação sobre integração na CGD "não é falsa"

 

Foi também em linha com o director de informação da TVI que António Costa falou sobre o facto de estar tudo preparado para o fecho do banco. "Entendi como a resolução do Banif", avançou. "Vejo todos os dias, no discurso político e mediático, [falar-se] na falência do BES, no fecho do BES, em expressões semelhantes, quando isso não aconteceu". Foi uma simplificação que faz sentido na televisão, justificou, admitindo que percebe porque, 30 minutos depois de se começar a falar no fecho do Banif, se corrigiu para resolução. "Acho bem que se tenha corrigido, por uma questão de precisão".

 

Um outro ponto que o rodapé da TVI avançava era que a "parte boa do Banif vai para a Caixa Geral de Depósitos". "A informação sobre a CGD não é falsa, estava ultrapassada no tempo. Mas não é falsa. Foi proposta", declarou António Costa aos deputados esta terça-feira no Parlamento.

 

Meses depois da notícia, e após a resolução, foi revelado que o Governo pretendia, efectivamente, que a solução para o Banif passasse pela integração na Caixa Geral de Depósitos, hipótese que esbarrou na oposição da Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia.

 

António Costa elogia equipa da TVI

 

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social já preparou um projecto de deliberação em que condena a TVI por não ter cumprido todas as obrigações jornalísticas em relação a esta notícia "Creio que [o projecto] não tem ainda o contraditório da TVI", respondeu, adiando comentários para quando houver uma deliberação final.

 

Com elogios à "óptima equipa" da TVI ("a começar no Sérgio Figueiredo"), António Costa explicou que, no dia 13 de Dezembro, não fez um trabalho jornalístico puro. Aproveitando que estava na redacção, foi-lhe pedido para contextualizar a notícia que estava já a passar no rodapé. Ligou, por isso, ao então presidente do Banif, Jorge Tomé, mas deixou claro, aos deputados, que não foi para fazer a verificação da notícia mas sim para ter dados para fazer o comentário na TVI.

 

Tal como Sérgio Figueiredo, o jornalista António Costa não mencionou quem foram os jornalistas que estavam a editar ou a dar força à notícia da TVI. 




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