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Ricardo Salgado reforça posição na "holding" da família Espírito Santo

Ricardo Salgado reforçou a sua posição na "holding" de controlo da família Espírito Santo, passando a controlar um pouco mais de 17% da Espírito Santo Control. O movimento de aumento da participação accionista foi comum aos cinco principais ramos da família e terá ocorrido na mesma altura em que a liderança de Salgado foi posta em causa pelo primo, José Maria Ricciardi.

Miguel Baltazar/Negócios
Maria João Gago mjgago@negocios.pt 27 de Janeiro de 2014 às 23:30
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O reforço aconteceu na sequência das tréguas assinadas no início de Novembro entre o Grupo Espírito Santo (GES) e Pedro Queiroz Pereira (PQP), depois de semanas de disputa pelo controlo da Semapa. O acordo entre as partes levou à separação dos interesses dos dois grupos: o GES vendeu as suas participações nas "holdings" do grupo de PQP e, em troca, o empresário entregou à família os 7% que tinha na ES Control além de uma quantia em dinheiro de valor desconhecido.

 

Foi a repartição da antiga posição de Queiroz Pereira que levou ao reforço das participações dos cinco ramos da família Espírito Santo na "holding" de topo do grupo. Ao que o Negócios apurou, os 7% que eram do dono da Semapa foram divididos de forma igual pelos blocos liderados por Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo Silva, José Manuel Espírito Santo Silva, António Ricciardi, Ricardo Salgado e Mário Mosqueira do Amaral.

 

A partilha equitativa da participação de PQP permitiu aos diferentes ramos da família manterem o equilíbrio de forças existente há vários anos. Isto apesar de a saída de Queiroz Pereira da ES Control ter ocorrido numa altura em que José Maria Ricciardi, número dois do bloco liderado por António Ricciardi, pôs em causa a liderança de Ricardo Salgado.

 

Na repartição da posição de Queiroz Pereira terá falado mais alto a necessidade de salvaguardar o "status quo" no seio da família. Uma preocupação que acabou por levar também Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi a anunciarem publicamente um acordo de paz. Numa declaração conjunta divulgada a 11 de Novembro último, os dois primos esclareceram "nunca ter havido uma tentativa de golpe de estado no grupo". Salgado admitia que Ricciardi "reúne todas as condições para ser um dos membros possíveis à sua sucessão". E o presidente do BES Investimento reafirmava a confiança na liderança do presidente executivo do grupo.

 

Numa altura em que a preocupação da família era, e é, transmitir uma ideia de pacificação entre os dois ramos desavindos, a repartição de um lote de 7% do capital da ES Control só podia ser feito sem alterar o equilíbrio de forças.

 

Como um todo, o conjunto de cinco grandes accionistas aumentou o seu poder. Segundo a informação incluída no prospecto da oferta pública de venda da Espírito Santo Saúde, este núcleo duro passou a controlar 88,36% da "holding" de topo através da qual a família domina o Banco Espírito Santo e a companhia de seguros Tranquilidade, por um lado, e a área não financeira concentrada na RioForte, por outro. Os restantes 11,64% estão repartidos por membros da família que, individualmente, têm menos de 2% da ES Control.  

 

 

 
Reforço mantém equilíbrio de forças que decide sucessão 

O reforço accionista dos cinco principais ramos da família Espírito Santo manteve o equilíbrio de poderes no seio do grupo numa altura em que está aberto o processo de sucessão de Ricardo Salgado como líder executivo do Grupo Espírito Santo. O lançamento oficial do processo que vai levar à escolha do próximo homem-forte do GES foi o resultado mais visível da guerra de poder que no final do ano passado opôs Salgado e José Maria Ricciardi. Para pacificar as relações, a família iniciou o movimento que levará à escolha do sucessor de Salgado. À partida, a sucessão ocorrerá apenas no final do actual mandato, que acaba a 31 de Dezembro de 2015. No entanto, dentro do grupo, há quem defenda que a eleição do novo líder deve ocorrer num prazo mais curto.  

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