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Ricciardi assume retirada de confiança a Ricardo Salgado na gestão do GES

Em comunicado divulgado esta tarde, José Maria Ricciardi assume que não deu “ao Dr. Ricardo Salgado um voto de confiança por ele solicitado para continuar a liderar os interesses do Grupo”.

Miguel Baltazar/Negócios
Pedro Santos Guerreiro psg@negocios.pt 08 de Novembro de 2013 às 15:12
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O comunicado emitido esta tarde, em reacção ao trabalho que o Negócios publicou na sua edição desta sexta-feira, José Maria Ricciardi assume assim estar em rota de colisão com Ricardo Salgado.

 

José Maria Ricciardi começa por recusar-se a aceitar a qualificação de “golpe de Estado”, expressão que é utilizada pelo Negócios na sua edição impressa. “Fique bem claro que não corresponde à verdade a tentativa de golpe de estado gorada atribuída à sua pessoa”. Mas confirma o facto: a votação de uma moção de confiança na reunião desta quinta-feira do Conselho Superior do Grupo Espírito Santo, moção essa que foi aprovada, conforme o Negócios avançou.

 

Ricciardi revela que esta moção foi solicitada pelo próprio Ricardo Salgado. José Maria Ricciardi não votou a favor da moção para o actual presidente executivo “continuar a liderar os interesses do Grupo”. Note-se que este comunicado (publicado na íntegra em baixo) expressa bem que, mais do que a presidência executiva do Banco Espírito Santo, é a liderança de todo o Grupo Espírito Santo que está em causa.

 

Ricciardi assume assim publicamente que retirou a sua confiança no líder do GES, o seu primo Ricardo Salgado, “por razões que se dispensa de revelar”.

 

O Negócios revela esta sexta-feira que as razões que levaram Ricciardi a tomar a iniciativa de precipitar a sucessão de Ricardo Salgado são os casos de envolvimento do Grupo e do seu presidente executivo em “guerras” com Angola e Pedro Queiroz Pereira, o endividamento das “holdings” familiares, os casos de justiça e os casos reputacionais relacionados com recebimento de comissões e correcções de declarações de rendimentos de Salgado.

 

Lealdade institucional

 

Em declarações publicadas hoje no Negócios, um comunicado oficial do Conselho Superior do GES acrescenta que ontem foi também aprovada “uma moção em que se reafirma a importância da lealdade institucional e do respeito pelos valores básicos que sustentam a cultura de gestão do GES, valores esses que são essenciais num momento de instabilidade e incerteza sem precedentes na economia nacional e internacional.” Esta frase parece colocar em causa a lealdade institucional de Ricciardi.

 

O presidente executivo do BES Investimento responde: “Fique ainda bem entendido que sobre os accionistas do Grupo não impende o dever de lealdade institucional, tal como vem invocado no comunicado.” Ricciardi posiciona-se assim não como presidente do BESI e membro da Comissão Executiva do BES, mas como accionista do grupo.

 

A guerra está assim declarada dentro da família Espírito Santo. Ricardo Salgado, 69 anos, é presidente executivo do BES e líder de todo o grupo. José Maria Ricciardi, 59 anos, é seu primo e administrador executivo do BES.

 

O órgão de topo da família Espírito Santo é a Conselho Superior, composto por nove representantes dos cinco ramos do clã. Como o Negócios hoje revela, este órgão reuniu-se estra quinta-feira em ambiente de alta tensão, acabando com a aprovação de duas moções, uma de confiança em Salgado, outra de censura a actos de falta de “lealdade institucional”. Na origem de tudo isto está uma iniciativa de antecipação da sucessão de Salgado. Como é hoje também revelado, apesar da derrota de Ricciardi nesta reunião, o órgão abriu também o “dossier” para a sucessão de Salgado.

 

 
Declaração de José Maria Ricciardi

José Maria Espírito Santo Ricciardi, membro do Conselho Superior do Grupo Espírito Santo, tendo tomado conhecimento da notícia publicada no Jornal de Negócios que, entre outras considerações, reproduz um comunicado do Conselho Superior do Grupo, vem esclarecer o seguinte:

 

•             Fique bem claro que não corresponde à verdade a tentativa de golpe de estado gorada atribuída à sua pessoa;

 

•             O signatário, na sua qualidade de accionista do Grupo, limitou-se a não dar ao Dr. Ricardo Salgado um voto de confiança por ele solicitado para continuar a liderar os interesses do Grupo, por razões que se dispensa de revelar;

 

•             Fique ainda bem entendido que sobre os accionistas do Grupo não impende o dever de lealdade institucional, tal como vem invocado no comunicado.

 

É o que por enquanto considera dever clarificar para a necessária compreensão da posição das partes envolvidas.

 

Lisboa, 8 de Novembro de 2013

 

 José Maria Espírito Santo Ricciardi

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