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Ricciardi: "Bancos portugueses têm capacidade muito diminuta de financiar a economia real"

O presidente do BESI adiantou que em Portugal, "está na moda" dizer mal do sistema financeiro, mas a evolução dos depósitos mostra que os portugueses acreditam nos bancos portugueses.

Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt 19 de Outubro de 2011 às 17:21
José Maria Ricciardi, presidente do BESI, considera que “está na moda” dizer mal da banca.

Contudo, o responsável lembra que a situação que o sistema financeiro português atravessa se ficou a dever à queda do “rating” da República Portuguesa. No Congresso Nacional dos Economistas, o responsável recordou também que Portugal, entre os três países da Zona Euro que estão sob um plano de ajuda financeira, é o único onde os depósitos aumentaram.

“Portugal, ao contrário da Grécia e da Irlanda, é o único país [intervencionado] em que os depósitos não têm parado de crescer. Os portugueses, ao começarem a consumir menos, conseguiram começar a aforrar mais. Como a acreditam no seu sistema bancário, os depósitos têm crescido”, adiantou.

Os “mercados estão completamente vedados aos bancos portugueses” e “os bancos todos, sem excepção, deixaram de poder financiar-se no exterior”. O responsável aponta ainda o dedo ao Banco Central Europeu.

A autoridade monetária da Zona Euro, segundo José Maria Ricciardi, “tem uma política errada” e “não pode ter uma actuação parecida com a Fed”. O responsável sublinhou ainda que a preocupação do BCE quanto à inflação não é a questão essencial neste momento.

Quanto à capacidade da banca para apoiar a economia, o presidente do BESI assumiu que “os bancos portugueses têm uma capacidade muito diminuta de financiar a economia real”. E que os rácios que a banca vai ter de cumprir “vai obrigar os bancos a concederem ainda menos liquidez”. Ricciardi disse ainda que é necessário que Portugal possa “renegociar” com as instâncias internacionais a concessão de liquidez à economia.

Apontou ainda que “conseguir investimento estrangeiro não é fácil” e que Portugal vai “ter de se concentrar nesse ponto”. A atenção, sublinhou, não se deve concentrar em questões de âmbito administrativo, porque senão “nunca mais chutamos à baliza para conseguirmos” trazer investimento estrangeiro para Portugal.




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