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Salgado não entrega actas do conselho superior do GES mas Ricciardi já enviou 72

José Maria Ricciardi remeteu para a comissão parlamentar de inquérito 72 actas do conselho superior do Grupo Espírito Santo. São reuniões de 2003 a 2013. Mas a reunião do "golpe de Estado" que lançou a Salgado não consta da lista.

Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 04 de Dezembro de 2014 às 08:00
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Ricardo Salgado não enviou as actas das reuniões do conselho superior do Grupo Espírito Santo para a comissão de inquérito ao BES, como solicitado a 21 de Novembro pelo presidente desta inquérito parlamentar, Fernando Negrão.

 

Na resposta dada a 3 Dezembro, o ex-banqueiro começa a resposta a referir que "a solicitação em causa poderia, desde logo, suscitar questões de reserva de intimidade". Salgado também defende que não pode entregar tais documentos porque foram apreendidos nas buscas realizadas na semana passada ao seu domicílio e ao seu escritório. Além disso, estes estarão agora em segredo de justiça. 

 

A negação de Salgado não impediu, contudo, que estas actas já tivessem chegado ao inquérito parlamentar (muitas delas foram já alvo de transcrições na imprensa).

 

Deram entrada pela mão de José Maria Ricciardi, o primo e rival de Salgado, 72 actas de reuniões deste órgão que juntava os principais ramos da família Espírito Santo. São 10 anos de documentação. A primeira é de 21 de Fevereiro de 2003, a última de 3 de Setembro de 2013, de acordo com o documento disponibilizado no "site" do Parlamento. 

 

Não consta desta lista a acta do encontro de Novembro de 2013, que ficou conhecido pelo "golpe de Estado" falhado que Ricciardi fez para destituir Salgado da liderança do BES.

 

Conselho superior e não conselho geral, alertam os primos

 

Em comum na resposta de Ricciardi e Salgado ao requerimento feito pelo inquérito parlamentar há um elemento: ambos sublinham que o órgão se chama conselho superior e não conselho geral, como indicado no pedido.

 

Aliás, o antigo presidente do BES diz ter recebido o pedido para o "envio das actas ou outros suportes documentais e/ou digitais (gravações) do conselho geral do Grupo Espírito Santo desde o ano 2000".

 

"Admito que, em rigor, esta referência visaria as actas das reuniões do órgão familiar, conhecido como conselho superior do Grupo Espírito Santo, o qual não tem natureza de órgão societário e, naturalmente, nunca esteve sujeito a qualquer supervisão regulatória", escreve Ricardo Salgado.

 

O mesmo é sublinhado pelo líder do BESI: "É minha convicção de que o pedido a mim formulado do envio das actas e suportes documentais do conselho geral do Grupo Espírito Santo padece de um erro material, dado que se pretendia referir às actas e suportes documentais do conselho superior do grupo".


Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi serão ouvidos na comissão parlamentar de inquérito na próxima terça-feira, 9 de Dezembro. O primeiro tem audição marcada para as 9h da manhã, o segundo para as 15h.

 

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