Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Salgado não informou Crédit Agricole sobre alterações necessárias no BES porque não teve tempo

Ricardo Salgado diz que não conseguiu informar devidamente o Crédit Agricole da necessidade de mudanças no BES porque o Banco de Portugal deu quatro dias para que fosse convocada a reunião de accionistas e, nesse período, teve várias reuniões com o conselho superior e teve "uma inesperada, mas indispensável, deslocação a Angola".

Miguel Baltazar/Negócios
Sara Antunes saraantunes@negocios.pt 11 de Dezembro de 2014 às 19:33
  • Assine já 1€/1 mês
  • 5
  • ...

Ricardo Salgado enviou uma carta ao Parlamento para reagir a uma carta que o governador do Banco de Portugal fez chegar enquanto o ex-presidente do BES estava na comissão de inquérito a prestar depoimento. Entre outras questões é abordada a sucessão de Salgado.

 

O ex-presidente do BES reitera o que disse na terça-feira perante os deputados, realçando que o governador tinha, numa fase inicial, aceite Amílcar Morais Pires para o suceder na liderança do banco. O governador já veio desmentir, tendo dito inclusivamente que nem o Crédit Agricole, segundo maior accionista do BES, tinha aprovado o nome.

 

Hoje, 11 de Dezembro, Ricardo Salgado fez chegar ao Parlamento correspondência que trocou com o Banco de Portugal e onde explica porque é que o Crédit Agricole não tinha dado consentimento a Morais Pires: porque não sabia. Isto porque Ricardo Salgado diz não ter tido oportunidade para falar com o accionista, uma vez que o Banco de Portugal acelerou a convocação da assembleia-geral de accionistas do BES, ao mesmo tempo que Salgado teve de realizar várias reuniões do conselho superior, para reunir consenso sobre as alterações que teriam de ser implementadas, e depois teve uma viagem imprevista, mas à qual não podia falta, a Angola.

 

Ricardo Salgado reitera, esta quinta-feira, "todas as informações" que fez na audição da comissão de inquérito parlamentar. É assim que reage à carta enviada por Carlos Costa ao Parlamento sobre as declarações que o presidente do BES fez perante os deputados. Salgado afirmou, no dia 9 de Dezembro, que inicialmente o governador do Banco de Portugal tinha aceite o nome de Amílcar Morais Pires para liderar o BES. 

 

A correspondência em causa, enviada por Salgado hoje à comissão de inquérito, foi enviada por Ricardo Salgado a Carlos Costa no dia 1 de Julho, em resposta a uma carta enviada pelo governador a 24 de Junho. Em causa estavam as medidas que precisavam de ser tomadas para que a liderança do BES fosse substituída, bem como as alterações necessárias ao modelo de governação. Nesta carta, Salgado dizia ao governador do Banco de Portugal que tinha estranhado que o nome de Morais Pires tivesse surgido nos jornais depois de uma reunião entre Ricardo Salgado e o Banco de Portugal, durante a qual teriam acordado manter esta questão dentro de portas.

 

"Foi com surpresa que logo na noite de quinta-feira e na manhã de sexta-feira (20.06.2014) constatei que toda a imprensa referia o nome do dr. Amílcar Morais Pires como futuro CEO do BES, não obstante a sua indicação ter sido retirada das propostas a ser apresentadas à assembleia geral, tal como sugerido por vossa excelência. Posso garantir que guardei total sigilo relativamente a este assunto e tudo fiz para que o mesmo silêncio fosse guardado por quantos participaram nas deliberações internas do grupo", lê-se no documento.

 

Estas notícias provocaram a suspensão das acções do BES em bolsa, determinada pelo regulador do mercado (CMVM) e levaram a "uma profunda instabilidade juntos dos fundos de investimento institucionais e internacionais, que dias antes haviam subscrito o aumento de capital do BES", bem como por parte dos bancos que assessoraram a operação e os advogados envolvidos nestas operações, dizia Salgado.

 

O ex-presidente do BES diz reconhecer que o que se tinha passado nos dias anteriores "comprometeu a serenidade e o meu propósito de obter um consenso prévio, mais alargado, quanto aos nomes a propor quer para o conselho estratégico, quer para o conselho de administração." Salgado referia que tinha sido acordado com Pedro Machado [director-adjunto do Banco de Portugal] que Carlos Costa chamaria a família Espírito Santo para uma reunião para que fosse explicado a todos porque teriam de renunciar às suas funções no BES. Além disso foi acordado que a assembleia geral extraordinária deveria ocorrer no final de Junho.

 

Ricardo Salgado justifica que, com vista a assegurar a confidencialidade" pedida pelo Banco de Portugal, "abstive-me, propositadamente, de ter quaisquer conversas com quaisquer outros accionistas de referência" sobre os temas abordados. Para que quando o fizesse estivesse tudo fechado com o Banco de Portugal.

 

E tinha previsto falar com os accionistas de referência, "especialmente com o Crédit Agricole, no sentido de obter um consenso mais alargado quanto às medidas a propor, entre os dias 18 e 27 de Junho.

 

Contudo, "situações imprevistas terão levado o BdP a determinar, no dia 16 de Junho, que a assembleia geral fosse convocada até às 17 horas do dia 20 de Junho, e divulgadas, na mesma data, as propostas respectivas".

 

O facto de haver poucos dias até à AG e de Ricardo Salgado ter realizado várias reuniões com o conselho superior do GES, "no sentido de reunir consensos" por causa da alteração dos estatuto e das mudanças ao nível da gestão, e devido a uma "inesperada, mas indispensável, deslocação a Angola", Salgado não conseguiu reunir-se com os accionistas de referência, justifica.

 

Assim, só conseguiu falar com os representantes do Crédit Agricole a duas horas da reunião do conselho de administração, o que, admite, levou a que os responsáveis do banco francês "tenham ficado desagradados", até porque, desta forma, não tiveram tempo para analisarem as questões com tempo.

 

(Notícia actualizada às 20h03 com mais informação)

Ver comentários
Saber mais Ricardo Salgado Carlos Costa BES Credit Agricole Banco de Portugal Morais Pires
Mais lidas
Outras Notícias