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BCP: Salgueiro diz que Marcelo e Costa se “atravessaram” após contacto de Bruxelas

João Salgueiro revela que as autoridades europeias contactaram o BCP para que o banco não permitisse a entrada de mais africanos, uma intervenção que terá motivado a actuação do primeiro-ministro e do Presidente.

Negócios 24 de Março de 2016 às 10:05
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O antigo presidente da Associação Portuguesa de Bancos, João Salgueiro, revelou, no programa "Negócios da Semana" da SIC Notícias, que as instâncias europeias pressionaram o BCP a não reforçar o capital africano no banco. A intervenção terá sido feita através de um telefonema, o que levou o primeiro-ministro António Costa a agir.

"Isto foi comunicado ao banco [BCP], não sei se telefonicamente ou como é que foi, que mais africanos não é possível", reproduziu o antigo banqueiro, que é apontado como porta-voz do movimento anti-espanholização da banca.

"Já sabemos qual é o banco que vai para lá. Por acaso é um banco espanhol. Mas é uma coincidência", acrescentou Salgueiro. Questionado por José Gomes Ferreira se se trata do Sabadell, o responsável respondeu "não sei, não sei, não posso falar do nome dos outros".

João Salgueiro sugere que Bruxelas considerava que a entrada de investidores europeus – potencialmente espanhóis – "eram favas contadas", mas que o primeiro-ministro e o presidente da República "atravessaram-se" em relação a essa decisão.

Isto porque, tal como o Expresso noticiou no fim-de-semana, o Governo de António Costa autorizou Isabel dos Santos a entrar no capital do BCP em contrapartida da saída da empresária angolana do capital do BPI. Esse movimento facilitaria o pagamento do valor remanescente dos 750 milhões de euros em CoCo’s injectados pelo Estado e que ainda estão no BCP, e a resposta à exigência do BCE de redução da exposição do BPI a Angola. 

O Governo não vira a cara "a resolver os problemas que necessitam de ser resolvidos" no sistema financeiro. "Foi o que fizemos com o Banif, com o BPI e é o que faremos com o Novo Banco e com todos, porque há que virar a página da instabilidade sobre o nosso sistema financeiro", afirmou Costa no sábado.

Esta quarta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa aplaudiu a actuação do Governo no sector garantindo quese justifica a "intervenção dos órgãos de soberania, em articulação com os reguladores" para defender a estabilidade do sistema financeiro.

"Mais vale prevenir que remediar, não pode haver ostracismos, não deve haver dependências – a pensar no princípio da independência nacional", disse Rebelo de Sousa.

As declarações coincidem ainda com o surgimento de um manifesto contra a "espanholização" da banca portuguesa, depois de o Santander Totta ter comprado o Banif por 150 milhões de euros.

"Achei logo uma imprudência aceitarmos a forma como foi feito o resgate do Banif, porque vai fixar o paradigma dos casos seguintes", considerou João Salgueiro no programa.

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