Banca & Finanças Santander defende que medidas do BCE não estão a funcionar

Santander defende que medidas do BCE não estão a funcionar

Ana Botín, presidente do Santander, considera que as medidas do BCE, que continua a cortar os juros e avançou com um programa de compra de dívida, estão a penalizar a rentabilidade dos bancos e a economia como um todo.
Santander defende que medidas do BCE não estão a funcionar
Juan Medina
Rita Atalaia 26 de setembro de 2019 às 10:39
Ana Botín, presidente do Santander, considera que as medidas adotadas pelo Banco Central Europeu (BCE) não estão a funcionar. Para a responsável, a prova está à vista: apesar dos esforços do banco liderado por Mario Draghi, a procura por crédito ainda não dá sinais de crescimento.

De acordo com o jornal Expansíon, esta foi a posição de Botín numa conferência anual com investidores do setor financeiro, organizada pelo Bank of America Merrill Lynch, em Londres. Isto depois de ser questionada sobre as mais recentes medidas do BCE, que continua a baixar as taxas de juro e a avançar com programas de compra de dívida para animar a economia. 

Na opinião da presidente do Santander, que detém o Santander Totta, estas medidas estão não só a penalizar a rentabilidade dos bancos, como também a prejudicar a economia como um todo e a estabilidade financeira. De acordo com alguns elementos que estavam na plateia, citados pelo jornal espanhol, Ana Botín disse ainda que a prova de que esta política monetária não está a funcionar, e de que o dinheiro não está a chegar às famílias e empresas, é que a procura por crédito não está a crescer na Europa. 

De acordo com a gestora, os consumidores estão a poupar cada vez mais em vez de pedirem empréstimos, apesar das taxas muito baixas. Isto porque, referiu ainda, estas medidas podem estar a sinalizar que a economia está frágil, o que reduz a confiança. 

As medidas do BCE, nomeadamente o programa de compra de dívida, foram alvo de muitas críticas por parte de alguns governadores do banco central. 

Klass Knot, líder do banco da Holanda, que anteriormente já se tinha mostrado contra a postura "dovish" de Draghi, voltou a fazê-lo e argumentou que o BCE agiu de forma desproporcionada. Outro crítico das medidas impostas foi Jens Weidmann, que já tinha vindo a púbico rejeitar a necessidade de estímulos na região. O líder do Bundesbank considerou que o BCE está a sair "para fora de pé" com esta decisão de reiniciar o programa de compra de ativos.

As críticas dos países do centro da Europa à política monetária do BCE não partiu apenas dos governadores destes países. O ministro das Finanças da Holanda acusou o banco central de estar a penalizar as pensões do país e o jornal Bild, da Alemanha, comparou o italiano ao conde Drácula, por considerar que o presidente do BCE está a sugar as poupanças dos alemães. Em declarações ao tablóide, Weidmann assegurou que vai assegurar que o ciclo de subidas de juros não será adiado. 




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