Banca & Finanças Santander já queria a "parte boa" do Banif no Verão de 2015

Santander já queria a "parte boa" do Banif no Verão de 2015

Em Dezembro, o Totta comprou os activos e passivos que quis do Banif. Mas a instituição já queria "uma parte limitada das operações do banco" meio ano antes, segundo um ex-administrador do Banco de Portugal.
Santander já queria a "parte boa" do Banif no Verão de 2015
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Diogo Cavaleiro 31 de março de 2016 às 22:24

Verão de 2015. O Santander Totta contactou o Banco de Portugal. Demonstrava um "eventual e hipotético interesse em virem a tomar negócios do Banif". Mais precisamente, "uma parte limitada das operações do banco".

 

A descrição foi feita esta quinta-feira, 31 de Março, na comissão parlamentar de inquérito ao Banif, por quem, no Banco de Portugal, recebeu o contacto do banco de capitais espanhóis: o administrador com o pelouro da supervisão prudencial, António Varela.

 

O então administrador do regulador, que se demitiu em 2016 desse cargo, informou que não estava a tratar do tema e que teria de contactar o accionista, que era o Tesouro (que ficou maioritário após a injecção de 1,1 mil milhões de euros estatais em 2013). "Remeti o Santander para eventualmente, se entendessem, ir falar com o accionista".

 

Não chegou a haver nenhuma proposta específica. António Varela percebe porquê: "O Santander, naquela altura, não teria nenhum interesse em comprar o que estava à venda". O que estava à venda não eram actividades do banco, era sim a posição do Estado (60% do banco). Mas, conta o ex-administrador do Banco de Portugal, o Santander queria comprar "a parte boa do Banif".

 

"Como acabou, depois, por comprar, passando não sei quantos meses", resumiu António Varela aos deputados.

 

O Santander Totta adquiriu a actividade tradicional do Banif, por 150 milhões de euros, a 20 de Dezembro de 2015, no âmbito de uma medida de resolução, que implicou perdas a accionistas e obrigacionistas. Uma operação que envolveu a injecção de 2.255 milhões de euros estatais e que colocou os activos que o banco presidido por António Vieira Monteiro não queria num veículo chamado Oitante. 

 

Ao longo do Verão do último ano, o Negócios fez várias perguntas ao Totta sobre um eventual interesse do banco no Banif mas nunca obteve qualquer resposta. 




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