Banca & Finanças Santander recusa relação entre compra do Banif e "swaps"

Santander recusa relação entre compra do Banif e "swaps"

O Estado vendeu a operação tradicional bancária do Banif a um banco que tem o Estado em tribunal por causa dos "swaps". O Santander Totta diz que o processo é totalmente distinto da compra da actividade bancária do Banif.
Santander recusa relação entre compra do Banif e "swaps"
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 22 de dezembro de 2015 às 18:48

O Estado vendeu o Banif ao Santander Totta, o único banco que não quis chegar a acordo com o Estado português no âmbito dos "swaps" e que colocou mesmo as empresas públicas em tribunal. O banco recusa que tenha havido qualquer entendimento sobre este litígio no âmbito da compra da instituição financeira do Funchal.

 

"Nenhuma relação entre os processos. Cada coisa é a sua coisa", responde ao Negócios a assessoria de comunicação do banco do grupo espanhol Santander quando questionada sobre se o acordo feito entre o Banco de Portugal, Estado e Totta no Banif teve em conta o litígio judicial.

 

O Santander Totta adquiriu, por 150 milhões de euros, o negócio da banca tradicional em Portugal do Banif no âmbito de uma operação de resolução que envolveu directamente 2.255 milhões de euros de dinheiro público. Na soma, o Estado acabou por pagar 2.100 milhões para que o banco presidido por António Vieira Monteiro adquirisse o Banif. Mas nesse entendimento não houve implicações sobre o acordo dos "swaps", segundo o Totta. Não foi possível, até ao momento, obter um esclarecimento por parte do Ministério das Finanças.

 

Neste momento, espera-se uma sentença do julgamento que está a correr em Inglaterra para determinar a validade dos instrumentos de gestão do risco financeiro ("swaps" ou, no caso específico, contratos que protegiam face à variação das taxas de juro) que o Totta vendeu às empresas públicas de transporte (Carris, STCP e metros de Lisboa e Porto) e que o Governo de Passos Coelho classificou de problemáticos.

 

No final de 2012, estes produtos financeiros poderiam ter significado perdas totais superiores a 3 mil milhões de euros ao Estado. O Governo optou por renegociar a reestruturação destes instrumentos – considerou muitos deles especulativos e complexos – mas um banco não aceitou: o Santander Totta. O banco colocou as empresas públicas em tribunal para validar os produtos que tinha vendido. O relatório e contas do banco dirigido por António Vieira Monteiro apontava para que estes títulos tenham um valor de mercado negativo de 1,22 mil milhões de euros em Junho (uma melhoria face aos 1,32 mil milhões registados em Dezembro).

 

 

 




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