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Representante de Isabel dos Santos: "cisão não é viável" e desblindagem só com consolidação

O presidente da Santoro, Mário Silva, referiu esta sexta-feira que a solução de cisão no BPI "não respeita os quadros legais". Já a desblindagem dos estatutos só mesmo se houver um processo de consolidação.

Miguel Baltazar/Negócios
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Mário Silva, presidente da Santoro, empresa de Isabel dos Santos, disse esta sexta-feira, 5 de Fevereiro, depois da assembleia-geral do BPI, que decorreu no Porto, que chumbou um projecto de cisão que iria agregar as participações africanas do banco, porque esta solução "não é viável" e "não respeita os quadros contratuais e legais para acontecer".

 

O responsável recordou que a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) chumbou um acordo com os accionistas para levar a cabo esta solução, mas que implicava que a Santoro ficasse com mais de um terço do capital, sem a obrigatoriedade de lançar uma oferta pública de aquisição.

 

"A cisão para acontecer carece de uma autorização dos reguladores e do parceiro em Angola. Do que é público, não será dada essa autorização, por isso, o melhor é concentrarmos-nos em soluções possíveis" referiu aos jornalistas, em Serralves onde se realizou a reunião magna.
 

Mário Silva disse ainda que "a Santoro exprimiu a sua preocupação, com o aproximar do prazo dado pelo Banco Central Europeu, para esta questão estar resolvida. A nova sociedade permitiria ao BPI reduzir a sua exposição a Angola, o que é uma obrigatoriedade dado que a supervisão exercida naquele país não é considerada equivalente à europeia". 

Desblindagem só com consolidação. Com BCP

 

Quanto à desblindagem de estatutos, proposta por Fernando Ulrich, Mário Silva só admite alterações no quadro de "um movimento de concentração na banca", nomeadamente com o BCP, como já tinha antes proposto. Aactualmente, os estaturos do banco estão limitados a 20% do capital o que obriga que o Caixabank, com 44%, vote apenas por 20% e que permite que os 18,6%, detidos por Isabel dos Santos, lhe dêem poder de veto.

"Tenho a ambição que o BPI possa ser parte activa em movimentos de consolidação", disse. "[A desblindagem] Deve ser considerada aí. Sem isso vamos aguardar", concluiu.

Na proposta da comissão executiva, feita esta quinta-feira para a desblindagem dos estatutos, era dito que, com o fim do limite de voto, o banco poderia "dispor de todos os instrumentos possíveis para lidar com os desafios". "Um desses instrumentos é o acompanhamento e envolvimento de actuais e futuros accionistas na actividade do banco, seja no que respeita ao apoio ao financiamento da sua actividade e da respectiva expansão, seja no que respeita ao suporte da participação do banco em eventuais operações de concentração", aponta o comunicado do banco português. 

Mário Leite Silva, em declarações ao Negócios, diz acreditar que ainda é possível um acordo. "Insistir na cisão simples é um erro, daí a disponibilidade da Santoro para buscar uma solução a contento de todas as partes".

O presidente da Santoro e representante de Isabel dos Santos no conselho de administração do BPI, sublinha que se houver "um esforço de todos" um acordo pode ser viável. "E também acredito que se houver bom senso e flexibilidade é possivel cumprir o 'deadline' (31 de Março) estabelecido pelo BCE",a diantou ao Mário Leite Silva ao Negócios.

Questionado sobre as alternativas para ultrapassar este impasse, o líder da Santoro diz não ter "nada em mente", reiterendo a necessidade de que "o diálogo se intensifique", no sentido de "trabalhar em soluções que sejam viáveis".

(Notícia actualizada com os dois últimos parágrafos às 15:27)

 

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