Banca & Finanças Singapura congela contas por suspeitas de branqueamento envolvendo fundo da Malásia

Singapura congela contas por suspeitas de branqueamento envolvendo fundo da Malásia

Em causa fragilidades detectadas nos mecanismos de controlo de branqueamento de capitais em três instituições financeiras a operar no território que terão permitido a lavagem de dinheiro ligado ao fundo soberano malaio 1MDB.
Singapura congela contas por suspeitas de branqueamento envolvendo fundo da Malásia
Paulo Zacarias Gomes 21 de julho de 2016 às 10:17

As autoridades de Singapura decretaram o congelamento de 177 milhões de dólares (160,45 milhões de euros) em activos ligados ao fundo estatal malaio 1MDB por alegadas práticas de branqueamento de capitais que terão sido possíveis pela deficiente monitorização da actividade de três grandes bancos internacionais no território.


Em causa estão problemas detectados no acompanhamento da actividade do banco suíço UBS, do britânico Standard Chartered e do DBS Group Holdings Ltd, nomeadamente falhas no acompanhamento do processo de entrada de novos clientes e das suas transacções que permitiram a passagem por aquelas instituições de fluxos monetários ligados ao fundo estatal, disse a Autoridade Monetária de Singapura (MAS na sigla inglesa) em comunicado citado pela Reuters.


Segundo a agência, é a primeira vez que o fundo estatal da Malásia 1Malaysia Development Bhd, sob a mira dos reguladores desde Março do ano passado, é referido em documentos oficiais das autoridades como estando envolvido em investigações sobre lavagem de dinheiro. 


"As investigações criminais dirigem-se a indivíduos suspeitos de cometer irregularidades em Singapura relacionados com estes fluxos, enquanto a MAS está a analisar as instituições financeiras através das quais os fundos circularam devido a possíveis falhas de regulação e de controlo," avança um comunicado conjunto da Procuradoria, da polícia e da MAS.


Em Maio, depois de encontradas falhas graves nas regras preventivas de branqueamento de capitais, as actividades do banco privado suíço BSI AG foram encerradas pelas autoridades, o primeiro caso de fecho forçado de uma instituição financeira internacional em 32 anos. Também no banco suíço Falcon PBS, detido pelo fundo soberano de Abu Dhabi, foram encontradas falhas de controlo semelhantes, mas já em Abril deste ano.


Tanto a DBS, como Standard Chartered com o UBS disseram estar a colaborar com as autoridades, tendo as três instituições garantido que foram elas próprias a denunciar as transacções suspeitas. 

O 1MDB, instituído pelo primeiro-ministro Najib Razak há sete anos pouco antes de tomar posse, é alvo de investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro em vários países, embora tanto a instituição como Razak neguem qualquer ilegalidade.

Esta quarta-feira, as autoridades norte-americanas anunciaram o congelamento de mais de 900 milhões de euros em contas alegadamente ligadas a dinheiro desviado do fundo e admitiram que o montante total de activos subtraídos ao 1MDB possa ascender a 3,17 mil milhões de euros.

O procurador da Malásia, Mohamed Apandi, garantiu entretanto esta quinta-feira em comunicado que não há qualquer prova nem acusação criminal, nas investigações feitas a nível internacional, relacionadas com uso indevido de fundos do 1MDB. E manifestou "forte preocupação em relação às insinuações e alegações" feitas em relação ao primeiro-ministro malaio.



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