Banca & Finanças Sociedade com malparado e imóveis dos bancos gerou menos-valias de 11,5 milhões ao BdP

Sociedade com malparado e imóveis dos bancos gerou menos-valias de 11,5 milhões ao BdP

A venda da Finangeste rendeu 15,7 milhões de euros ao Banco de Portugal, como o Negócios já tinha noticiado. Contudo, o valor ficou abaixo do registado no balanço, o que gerou menos-valias ao regulador nacional, décadas após a sua constituição.
Sociedade com malparado e imóveis dos bancos gerou menos-valias de 11,5 milhões ao BdP
Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro 16 de maio de 2016 às 16:55

Antes de se falar, em 2016, de um banco "mau" que agrupasse o crédito malparado e os imóveis dos bancos portugueses, essa realidade já tinha existido. A Finangeste herdou este tipo de activos dos bancos no pós-nacionalizações e na sua preparação para as privatizações, nos anos 80. Os bancos visados na altura e o Banco de Portugal venderam, em 2015, a participação que ainda tinham naquela sociedade. O regulador até encaixou milhões - que não evitaram perdas.

 

Como o Negócios já tinha noticiado, o Banco de Portugal teve direito a receber um montante superior a 15,7 milhões de euros pela posição de 44% do capital da Finangeste que detinha. Contudo, aquele valor era inferior ao que a participação na Finangeste estava registada, segundo o relatório publicado esta segunda-feira, 16 de Maio, sobre a Actividade e Contas de 2015. Ou seja, traduziu-se "no reconhecimento de uma menos-valia de 11,6 milhões de euros". O regulador presidido por Carlos Costa defende que a operação foi feita "sem impacto financeiro material nas suas contas", num ano em que os lucros caíram 23% para 233 milhões de euros (levando a uma quebra idêntica nos dividendos entregues ao Estado). 

 

Os restantes bancos accionistas da sociedade, com o BPI e o BCP à cabeça, acompanharam a operação de venda, nas respectivas proporções, pelo que o capital da gestora imobiliária pertence agora, em exclusivo, à compradora: a empresa Isegoria, que se dedica à mediação imobiliária. Aliás, já com os novos accionistas, a Finangeste já vendeu activos imobiliários avaliados em 110 milhões de euros. 


De acordo com o relatório e contas de 2014, o Banco de Portugal tinha 44% do capital da Finangeste, o BPI  32,78%, o BCP outros 15,8%, a CGD 4,47% e o Santander Totta 1,58%. Com menos de 1% de capital cada, eram ainda accionistas o BES (Novo Banco), Barclays, BBVABanif, e Banco Popular. O acordo para a sua alienação foi liderado pelo Banco de Portugal, pelo BPI e BCP, sendo que o regulador foi o que mais recebeu por ser o principal accionista. 

Neste momento, discute-se em Portugal a possibilidade de vir a ser criado um veículo que liberte os bancos do crédito malparado e dos imóveis mas, embora tenha sido falado pelo próprio primeiro-ministro António Costa, o tema tem perdido força. O crédito malparado forçou à constituição de imparidades nos últimos anos, conduzindo aos prejuízos dos bancos na época da troika. Já os imóveis continuam a pesar nos balanços dos bancos - ainda esta segunda-feira, o Negócios dá conta disso mesmo: o imobiliário na banca está em recorde, com 7 mil milhões de euros em imóveis. 




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