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Sucessor de Horácio Roque afasta responsabilidades no Banif após 2012

Joaquim Marques dos Santos não participou na auditoria forense feita em 2014 no Banif e defende que desde 2012 que só conhece os factos em torno do banco pela comunicação social.

Bruno Simão
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 29 de Março de 2016 às 10:26
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Joaquim Marques dos Santos, sucessor de Horácio Roque na presidência da administração do Banif, afasta quaisquer responsabilidades no banco para lá de 2012, altura em que abandonou a instituição.

 

Na comissão de inquérito ao Banif, cujas audições arrancaram esta terça-feira, 29 de Março, Marques dos Santos disse desconhecer as conclusões da auditoria forense de 2014 promovida pelo Banco de Portugal. "Nunca fui ouvido na auditoria, nem nessa nem em nenhuma outra", disse em resposta à deputada Margarida Mano, do PSD.

 

O mesmo aconteceu em relação à auditoria feita pela PwC, em 2011, na sequência da entrada da troika em Portugal, que olhou para todos os principais bancos nacionais. A discussão em torno da auditoria aconteceu na comissão executiva do banco. "Já não pertencia à comissão executiva", disse Marques dos Santos. Em 2010, passou da comissão executiva para presidente da administração do banco, com a morte do fundador do Banif, Horácio Roque, sendo que dois anos depois deixou definitivamente o banco.

 

Sobre as contas de 2011, apresentadas em 2012 já pela administração presidida por Luís Amado e Jorge Tomé, Marques dos Santos afirmou que não foi ele que deu a cara pelas contas porque a liderança seguinte quis assegurar o seu fecho. "Não foi uma deliberação nossa", declarou, atribuindo também essa decisão ao Banco de Portugal. Pouco depois de sair do banco, o Banif teve de pedir uma injecção de capital de 1,1 mil milhões de euros.

 

Marques dos Santos remete para documentos

 

Na sua declaração inicial, Marques dos Santos defendeu que "todas as decisões" que tomou "estão devidamente documentadas e justificadas", pelo que "constam de todos os arquivos do banco". Contudo, ressalvou que, quando abandonou funções, em 2012, não trouxe consigo quaisquer documentos. Aliás, desde que deixou de ser o "chairman" da instituição financeira, o antigo gestor defende nunca ter tido "contactos formais com os órgãos sociais do banco e do grupo". "Tudo o que conheço é o que vem na comunicação social".

 

Questionado pela deputada do PSD Margarida Mano sobre o crescimento dos resultados na segunda metade do século XX, apesar da crise do "subprime" iniciada em 2007 nos Estados Unidos, Marques dos Santos defendeu que a referida crise "não teve grande repercussão na banca portuguesa". "Nenhum banco, que me lembro, foi afectado por esses activos tóxicos. Criou-se uma ideia que o país estava um bocadinho fora".

 

O crescimento do banco também foi ajudado pelo facto de se ter apoiado nas pequenas e médias empresas, segundo o administrador do Banif.

 

Marques dos Santos foi a primeira personalidade a ser ouvida na comissão parlamentar de inquérito ao Banif, banco que recebeu uma injecção de 1,1 mil milhões de euros estatais em 2013 e, dois anos depois, foi alvo de uma medida de resolução, que custou mais 2.255 milhões de euros públicos e implicou a venda por 150 milhões ao Santander Totta.

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